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Covid afeta mais às classes populares e letalidade aumenta

Quando começou, a Covid-19 era uma doença das classes mais elevadas – a turma que viajava para a Europa e trazia a enfermidade no corpo. Mas esse perfil foi superado há um bom tempo e a Covid é cada vez mais um problema das classes mais populares, alterando inclusive alguns padrões dos registros. No final de semana, um novo traço da doença foi destacado pelo médico Ronaldo Damião, que é diretor do Hospital Pedro Ernesto, unidade de referência no Rio de Janeiro para atendimento dos afetados pela Covid: segundo ele, os pacientes que chegam ao hospital (que é ligado à Universidade Estadual do Rio) apresentam um quadro cada vez mais grave.

O diagnóstico é tradutor da realidade social: cada vez mais a pandemia avança dentro das comunidades, alcançando um público menos nutrido e com menor acesso a hospitais bem estruturados. Muitos – conforme relata Damião – passam horas ou mesmo dias em UPAs até conseguirem uma vaga em UTI. A demora é crucial: o diretor do Pedro Ernesto revela que atualmente 25% dos pacientes morrem nas primeiras 24 horas de internação. Um dado alarmante que não pode ser tomado como exclusivo do Rio e deve preocupar especialmente quando a doença se espalha para o interior dos estados.

Ainda ontem a infectologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, manifestava preocupação com esse avanço da Covid-19 para o interior. Para ela a grande preocupação é com a logística: as condições de atendimento nas capitais são muito melhores que as do interior, e mesmo assim os dados são graves. Há efetivamente um risco de que o foco central mudando para as pequenas cidades traga uma situação muito mais grave.

No Piauí, Teresina não tem apresentado uma situação que traduza calma. Longe disso. Mas o interior apresenta um crescimento que preocupa.
 

Cresce mortalidade em Teresina e interior

O interior do Piauí vem registrando crescimento acentuado no número de infecções pelo novo coronavírus. Esse comportamento pode ser visto tanto no painel do coronavírus da Secretaria de Saúde do Estado como no da Fundação Municipal de Saúde. Os dados semanais agregados para todo o estado do Piauí crescem a cada semana: 1.541 na semana de 24 a 30 de maio, passando para 2.547 na semana de 31 de maio a 6 de junho e, na semana passada, mais 2.675 novos casos. A letalidade decresceu entre a primeira e a segunda semana, mas aumentou substancialmente na terceira semana, chegando a 4,5% para o total de casos do período.

Em Teresina a letalidade segue muito acima das registradas no estado como um todo. Na primeira semana (24 a 30 de maio) foi de 7,2%, segundo os dados da Fundação. Manteve-se no mesmo patamar na semana seguinte e aumentou um pouco mais na semana passada, quando chegou a 7,8%, conforme os dados disponibilizados pelo município e o Estado. Vale observar que a PMT costuma revisar seus dados e não é incomum que os registros de uma determinada data sejam alterados dias depois, após análise de casos que ainda não tinham diagnóstico conclusivo.