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Cultura pós-pandemia terá regras bem diferentes

Ontem, 19 de junho, foi o Dia do Cinema. Mas talvez nem o mais criativo dos roteiristas de Hollywood tivesse imaginado tanto: um cenário onde as salas de cinema simplesmente “não existem”, fechadas por conta de uma pandemia. Também os teatros. E os museus. A bilheteria fica a zero por três meses seguidos. Nada com a ficção. Tudo realidade. Mas na Europa o cenário começa a se alterar lentamente, e sob rígidas regras que estão sendo olhadas com atenção por artistas e agentes da cultura de todo o mundo, inclusive os do Brasil. O desenho para o pós-pandemia, também aqui, aponta para um perfil bem distante.

Os produtores brasileiros partem de três premissas para o redesenho do pós-pandemia: a experiência internacional, as diretrizes sanitárias da OMS e os decretos dos estados e municípios, norteadores do alcance da movimentação social. Os dois aspectos relacionados ao campo sanitário (OMS e decretos) ainda têm que ser avaliados, mas em termos de experiência internacional, países como a Alemanha já apontam sinais que devem ser levados em conta: lá os concertos voltaram. Mas com público limitado até mesmo a menos de um terço da capacidade. Os espectadores também devem ficar espaçados nas salas.

No Brasil, alguns pontos já estão sendo apontados como a tendência, o "normal" do futuro:
Público: será menor em qualquer circunstância, como forma de manter distanciamento.
Ingressos: o ingresso impresso será cada vez mais uma coisa do passado, vigorando mais e mais o ingresso digital (de preferência adquirido on-line).
 Filas: a intenção é evitá-las de qualquer jeito, onde a venda antecidada (outra vez: de preferência on-line) será a regra quase absoluta.  
Espaços: haverá estímulo aos eventos em espaços públicos, uma maneira de evitar a excessiva proximidade nas plateias.
Intervalo: concertos e peças teatrais devem evitar os intervalos. Será outro modo de reduzir os momentos de socialização.
Museus: a tendência é que adotem um novo desenho de suas exposições, com percursos únicos que impedem o ir e vir do visitante. Também haverá vigilância para evitar concentração diante de peças específicas.

Nos museus do mundo, uma das cenas mais comuns é a da Monalisa (Leonardo Da Vinci), no Louvre. Diante do quadro mais visto no planeta, os visitantes se acotovelam e por vezes se escoram no vizinho (em muitos casos, desconhecido) para simplesmente conseguir um flash, um registro da Gioconda. A intenção é que esse tipo de cena seja evitada.