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Alheio à pandemia, Crea quer fazer eleição em julho

Enquanto o Congresso vota proposta de adiamento das eleições municipais deste ano, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) e Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREA) planejam realizar ainda em julho a eleição da escolha de seus novos representantes. A intenção é realizar o pleito em mais três semanas, sem considerar o agravamento da pandemia em todo o país, em um cenário em que o Brasil ainda não alcançou o chamado pico da doença.

A cada três anos acontecem as eleições para renovação das diretorias dos CREAs, que por sua fez dão forma a um colegiado que resulta na escolha da direção do CONFEA. A eleição deste ano deveria ter acontecido dia 3 de junho, mas foi adiada em razão da pandemia. Uma nova data foi definida: o dia 15 de julho. O problema é que a pandemia segue forte e até vendo o quadro de casos totais e de óbitos se agravar em muitos estados. Mesmo assim, a data de 15 de julho está sendo defendida pelo CONFEA.

No Piauí, dirigentes da instituição sequem a orientação nacional. O cronograma também é seguido por outros estados. Em São Paulo foi constituída comissão eleitoral para levar adiante o processo eleitoral. O mesmo acontece no Maranhão, onde já estão sendo definidos os locais de votação. Há um movimento, no entanto, que cobra o adiamento, com os mesmos argumentos que estão levando o Congresso Nacional a alterar as eleições municipais de 4 de outubro para 15 de novembro: a pandemia não arrefeceu.

E nesse cenário seria muito temerário abrir uma campanha eleitoral e gerar aglomeração nos momentos de votação. Ainda mais tendo em conta que a posse das novas direções só ocorre em janeiro.
 

Indicadores mostram quadro preocupante

Enquanto os CREAs levam adiante a realização da eleição de suas novas diretorias, a pandemia vai mostrando dados nada animadores. Ontem o Brasil registrou o segundo maior número de mortes em um único dia. Foram 1.374 óbitos, quase uma morte por minuto. Os números totais também mostram que a pandemia está longe de ser controlada: foram quase 40 mil novos casos, ontem, segundo dados oficiais. É também o segundo maior índice registrado no país, reafirmando o Brasil como o principal foco de Covid-19 no planeta.

O país já ocupa essa triste posição de destaque desde o final de maio. Foi quando o Brasil passou a ter registros de novos casos acima dos verificados nos Estados Unidos, que desde o final de abril era considera o epicentro da pandemia. O epicentro se deslocou para o Brasil, que vem sendo o local com maior número de novos casos praticamente todos os dias das últimas quatro semanas. O pico nos Estados Unidos foi ainda em 24 de abril, com quase 36 mil casos - e manteve-se alto ainda por mais de duas semanas. O teve seu maior registro no final de semana passado, com quase 55 mil casos. E não há indicações de que o cenário mudou.