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Após conquista, companha estimula doação de sangue por homossexuais

Foram 27 anos de uma discriminação estabelecida através de normas oficiais: desde 1993 homossexuais homens eram proibidos de doar sangue. O termo formal era “inaptos”. A proibição surgiu no clima de medo em torno do HIV, à época tirando o sono de muita gente, homossexual ou não. Mas há muito se cobrava a mudança na orientação e o Supremo Tribunal Federal, em 8 de maio, derrubou as restrições estabelecidas pelo Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que inabilitavam à doação de sangue “homens que tiveram relações sexuais com outros homens”. Agora, uma campanha quer ressaltar a conquista levando homossexuais aos postos de doação.

Embora a nova diretriz legal tenha sido aprovada em 8 de maio, a Anvisa só editou nova orientação sobre o tema no dia 13 de junho, uma sexta-feira. A implementação, na prática, começou dia 15, uma segunda-feira. E a grande mudança se dá com a supressão de uma única pergunta do questionário que é aplicado para qualquer potencial doador que se apresenta nos hemocentros. Lá, seguem perguntas que podem levar à exclusão do potencial doador, como saber se teve prática sexual com parceiros esporádicos e sem preservativo, ou ainda se usou alguma droga ilícita nos 12 meses anteriores. Essas perguntas valem para qualquer um.

A novidade é que não aparece mais a pergunta se um homem manteve relação sexual com outro homem. Não cabe. E entidades ligadas ao movimento homossexual estão lançando uma campanha que estimula a doação por homens gays, reforçando o conceito “iguais de sangue”. A intenção é reafirmar a conquista, além de evidenciar possíveis reações ao fim da proibição. Instituições como a Aliança Nacional LGBTI+ e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) também querem que o movimento seja importante nesse momento em que o país registra níveis tão baixos de estoques de sangue.

Uma iniciativa e tanto.
 

Estoques de sangue caem pela metade

Os estoques de sangue nos hemocentros do Brasil caíram drasticamente em todo o país. É uma situação que outros países já viveram neste período da pandemia e nem mesmo a redução da demanda tem permitido a manutenção de um estoque confortável. No Piauí, segundo informações do Hemopi, os estoques caíram a menos da metade. Por conta disso, o homecentro vem fazendo um esforço para estimular as doações, inclusive realizando ações externas como a montagem de sistema de drive thru na ponte estaiada.

A intenção é atrair doadores que se sintam pouco à vontade por conta da pandemia do novo coronavirus. Nessas ações externas, o espaço móvel para recebimento dos doadores tem número limitado de pessoas. Mas também na sede do Hemopi, ao lado do Hospital Getúlio Vargas, todos os cuidados são tomados da mesma forma e até com mais folga, já que o espaço é amplo e também com restrições ao número de atendidos por vez.