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Atraso do ano letivo pode ter impacto de 23% do PIB, diz Insper

Em 1990, a rede estadual de ensino do Piauí inteira (cerca de 420 mil alunos) perdeu o ano letivo. As perdas causadas junto a essa massa de jovens nunca foi calculada. Mas foi enorme. Uma pesquisa do Instituto Insper, realizada agora sobre o impacto da paralisação das aulas no período da pandemia, dá uma ideia das perdas econômicas resultantes da ausência das atividades escolares. Segundo economistas do Insper, ou o Brasil se esforça para recuperar o conteúdo não ministrado desde março ou pode ter perdas que acumuladas ao longo da vida dos estudantes geram um impacto correspondente a mais de um quinto do PIB brasileiro atual.

No caso do Piauí, em 1990, o ano letivo ficou perdido, sem reposição de conteúdo. Olhando agora para os efeitos da pandemia, o Insper mostra as perdas com o atraso no ingresso no mercado de trabalho ou mesmo a não reposição de conteúdo, que tem efeito no desempenho profissional dessa massa de alunos. De acordo com o Instituto, as perdas de renda acumuladas podem chegar a R$ 42,5 mil para cada um desses jovens, se essa juventude chegar ao mercado de trabalho com esse déficit de conteúdo.

Pode parecer pouco. Mas esses R$ 42,5 mil correspondem a cerca de um ano de vencimento de quem ganha cerca de R$ 3,3 por mês ou três anos de quem recebe o salário mínimo. Agora multiplique isso pelos milhões de jovens que estão perdendo conhecimento em razão da paralisação das aulas. O Insper dá os números: são 34,8 milhões de estudantes da educação básica, o que geraria um impacto de até R$ 1,48 trilhão na economia ao longo da vida desses jovens. Comparando com o PIB de hoje, seria um impacto correspondente a 23% de tudo o que o país produz.

O cálculo parece futurologia, mas não é. E mostra o quando a atenção com a educação tem peso na vida das pessoas e na do país.
 

7 capitais planejam retomar aulas até agosto

O cenário pós-pandemia vai mostrando que o desempenho da educação brasileira, este ano, vai despencar, tanto pela paralisação pura e simples ou pelo uso do ensino remoto sem as condições adequadas, com perdas de conteúdo. E a grande questão é saber quando e como retomar as atividades educacionais regulares. A palavra “regular” parece excessiva, já que poucos veem chance de um retorno sem fórmulas híbridas – presencial com ensino a distância. Seja como for, 7 capitais já planejam a retomada das aulas – 4 já para o mês de julho e outras 3 em agosto. São Paulo colocou setembro como meta e Teresina ainda não definiu planos.

As capitais que planejam o retorno para este próximo mês são Manaus, João Pessoa, Brasília e Fortaleza, onde as escolas particulares já têm protocolos definidos em razão do calendário das prefeituras. Já as escolas particulares em Goiânia, Curitiba e São Luís avaliam a volta às aulas em agosto. No Rio de Janeiro, a previsão era de retorno em julho, mas o quadro da pandemia na cidade e a mudança de diretrizes deixou as escolas em suspenso. Em geral, as escolas particulares querem seguir um cronograma própria, obedecendo as diretrizes das prefeituras mas sem estabelecer vínculo com o retorno da rede pública.