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Que surpresa! Novo ministro da educação usa palavras de educador

O presidente Jair Bolsonaro anunciou ontem o novo ministro da Educação. E o nome nem aparecia nas principais listas de especulações: trata-se Milton Ribeiro que, conforme o currículo divulgado, tem doutorado precisamente em educação. Milton é pastor da Igreja Presbiteriana e ligado à Universidade Mackenzie, uma importante instituição de ensino superior, privada, confessional e ligada ao Instituto Presbiteriano. Carrega, portanto, o vínculo religioso e a visão liberal que dá um lugar de destaque ao ensino privado – que hoje responde por 75% dos alunos de graduação no Brasil.

Essas credenciais devem deixar muita gente de orelha em pé, especialmente dentro das universidades federais, atacadas sem piedade pelos dois últimos ocupantes do MEC. Mas Milton Ribeiro já marcou uma diferença e tanto, surpreendendo: ao se manifestar após ter seu nome publicado em uma edição extra do Diário Oficial, usou palavras e lógicas de educador. E, também fora do tom do último um ano e meio, lançou um apelo à unidade do país em torno da educação, pelo poder transformador que ela encarna.

Nada de confronto. "Sei da responsabilidade da missão. A educação transforma vidas; transforma uma nação. É hora de um verdadeiro pacto nacional pela qualidade da educação em todos os níveis. Precisamos de todos: da classe política, academia, estudantes, suas famílias e da sociedade em geral. Esse ideal deve nos unir", escreveu Ribeiro no Twitter. E, cabe destacar: usando adequadamente inclusive o ponto e vírgula.

Uma mudança e tanto, surpreendente. Já é um esperançoso começo.
 

Ministro terá tarefa de recuperar o crédito

Ricardo Velez Rodriguez e Abraham Weintraub conseguiram muito no Ministério da Educação, sobretudo gastar praticamente todo o crédito de confiança do governo junto à comunidade acadêmica. Agora, Milton Ribeiro terá a enorme tarefa de recuperar o crédito e a confiança, voltando a colocar a Ciência no lugar óbvio de instrumento estratégico de transformação da sociedade. O Brasil se esforçou muito para andar na contramão. O novo ministro terá que retomar o curso normal.

Também terá a tarefa de colocar a educação em um caminho seguro, coisa que o Brasil não tem há décadas e décadas. O exame PISA vem mostrando que nosso ensino fundamental tem desempenho pífio. Diversos rankings internacionais também colocam em xeque nossas universidades – às vezes não temos uma única universidade entre as 150 ou 200 melhores do planeta. Uma transformação desse tamanho não se faz de uma hora para outra. Mas tem que começar em algum momento. Se for logo, melhor. E o novo ministro tem essa chance de ligar a chave da transformação.

Tomada que assim faça.