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Após casos Serra e Alckmin, PSDB refaz os planos com Doria

O PSDB já não é mais o mesmo. No cenário nacional, o partido sofreu mais dois duros golpes nos últimos dias, com ação policial e indiciamento de duas de suas grandes lideranças das últimas décadas – o senador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin. O impacto não é pequeno, sobretudo quando as duas lideranças estão em São Paulo, o principal estado do país e mais importante base do partido, onde detém o governador e o prefeito da capital. Além disso, eram figuras de referência, mesmo com perda paulatina de espaço para o “novo tucanato” liderado por João Dória Júnior.

Ao passar a ter o comando efetivo do PSDB, João Dória impôs uma mudança drástica no partido, inclusive de natureza ideológica: a direção orientação deixou no passado as lembranças de um viés centro-esquerda. Hoje é, se tanto, um partido de centro – cabe lembrar, Doria terminou se juntando em 2018 ao fenômeno Bolsonaro e abandonando seu padrinho Alckmin, também candidato à presidência. Naquele ano, o PSDB já pagou o desgaste de estar próximo ao governo Temer e pelo escândalo Aécio Neve, que era presidente da sigla quando veio à tona o caso JBS.

Pagou muito caro: mesmo conseguindo eleger o governador de São Paulo, o partido perdeu cadeiras no Congresso, diminuiu representação nos estados e viu seu candidato presidencial ter em 2018 a menor votação desde a primeira disputa pelo Planalto, em 1989. Agora os obstáculos se renovam com os problemas de Serra e Alckmin. Ainda que tenham se transformado em figuras menos reluzentes do antes, ainda tinham importância dentro do tucanato. Um exemplo:  Alckmin tinha recebido a responsabilidade de cuidar do programa de governo de Bruno Covas, que busca permanecer no cargo de prefeito de São Paulo.

Enquanto isso, Doria se desmarca do antigo PSDB e empreende seu voo particular, que espera encerrar na presidência da República. Mas não terá como deixar de olhar um pouco para o passado.
 

Projeto de Doria começa com Bruno

O governador João Doria tem projetos ambiciosos: quer disputar a presidência da República. E pensa concretizar tal objetivo já em 2022. Esse projeto leva à repaginação do PSDB, que não tem mais nada com o social-democrata do tempo de FHC. Dória é outra coisa. Mesmo assim tem que fazer os cálculos do impacto das ações contra Serra e Alckmin – quando unimos os dois a Aécio, vale observar que todos os candidatos tucanos à presidência das cinco últimas eleições foram envolvidos em escândalos. Doria também terá que fazer um aceno para o passado sem se “queimar”.

A senha para essa última dúvida tem sobrenome histórico entre o tucanato: Covas. E nome conhecido: Bruno. Bruno Covas é o prefeito de São Paulo e vai atrás de um novo mandato. Mesmo sendo da nova geração, carrega o legado do avô Mário. Para Doria, será muito importante manter um tucano na prefeitura. Ainda mais um tucano com esses lampejos de “velho PSDB”, que vem a ter identidade mais clara que o “novo PSDB” do governador.