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Liberalismo de Bolsonaro perde para o pragmatismo da sobrevivência

O pedido de demissão do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, dá mais um sinal da troca que o presidente Jair Bolsonaro faz: ao invés das propostas de campanha, ganha espaço o pragmatismo em nome da governabilidade e da sobrevivência. Novaes foi anunciado para o comando do BB ainda na fase de transição no final de 2018 e tinha um propósito claro: tomar as providências para a privatização do banco. Ocorre que o Banco do Brasil é, junto com a Petrobrás, um dos dois maiores símbolos do poder estatal e de uma ideia de autonomia do país.

As dificuldades para levar a cabo tal projeto eram enormes, sobretudo por atacar a um valor simbólico tão forte. Mas, no início, Bolsonaro não estava muito preocupado com as reações públicas e institucionais. Com as dificuldades extras dos últimos meses (incluindo a possibilidade de denúncia contra o presidente), no entanto, o governo teve que abandonar a ideia de realizar as propostas de campanha a qualquer custo. Os novos aliados – o Centrão à frente – ajudaram nessa mudança.

As lideranças do Centrão são em geral de direita, mas uma direita onde o liberalismo vai até a segunda página do manual. Prevalece o estatismo, a ocupação de espaços de poder e transformação disso tudo em obras, obras e obras. Foi exatamente pela chegada desse grupo ao governo que a continuidade de Paulo Guedes chegou a ser questionada no ministério da Economia. Guedes é o liberalismo puro e duro.

Mas o liberalismo do Centrão é diferente: é um liberalismo sem risco, lastreado pelo Estado.
 

O liberal do Centrão é Rogério Marinho

Nas especulações sobre uma possível saída de Paulo Guedes do ministério da Economia, um nome sempre aparece na lista de possíveis sucessores: o atual ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Marinho já foi auxiliar de Guedes como articulador (com grande êxito) do processo de aprovação da reforma da previdência. Dialogava com o Congresso, fazia acordo com lideranças. E viu a reforma sair quase como o governo desejava.

Ao mudar de cadeira, assumindo um ministério, Rogério Marinho seguiu conversando com as lideranças do Congresso, especialmente com as dos partidos que formam o Centrão. E falando a linguagem do grupo: assumiu a tarefa de retomar obras de infraestrutura fundamentais. Para citar o Nordeste: a transposição do São Francisco e a Transnordestina. Rogério festeja o Centrão e por ele é festejado. É o liberal que esses partidos aplaudem, protegem e (se podem) promovem.