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Bolsonaro chega na quinta com Ciro no papel de cicerone

O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e uma das principais lideranças do chamado Centrão no Congresso, será mesmo o “dono” da visita de Jair Bolsonaro ao Piauí, na próxima quinta-feira. O presidente estará em São Raimundo Nonato, quando vai visitar o complexo científico-cultural da Serra da Capivara, em especial o Museu do Homem Americano. Boa parte da bancada não acompanhará o presidente, muitos parlamentares por limitações relacionadas à pandemia do novo coronavírus.

A viagem consolida o senador como um aliado de muita influência dentro do governo federal, o que não acontecia no início do mandato de Bolsonaro – quando essa relação mais estreita estava restrita quase que exclusivamente ao senador Elmano Ferrer (Podemos). A maior parte da bancada piauiense terminou se aproximando do Planalto, mantendo distância apenas os representantes do PT e, de certa forma, o senador Marcelo Castro – que não chega a ser um oposicionista incondicional.

As dificuldades de Bolsonaro em diversas frentes, em especial no Congresso, alevaram à proximação o governo e o chamado Centrão – grupo que tem no Progressista de Ciro a maior bancada. O grupo passou a indicar nomes para cargos importantes no governo federal, com destaque para o Nordeste. Isso também colocou Ciro em um lugar de destaque na relação com o governo, em constantes audiências com ministros e até mesmo com o presidente da República, sempre associando essas reuniões à liberação de verbas. Esse lugar diferenciado do presidente do Progressistas ficou evidente na sexta-feira, quando o ministro Rogério Marinho o acompanhou em visita a Floriano, discursando e chamando Ciro de “senador do Brasil”.

Agora quem coloca a azeitona na empada de Ciro é o próprio Bolsonaro, que também já ganhou de Ciro a sua cereja no bolo, na forma de apoio no Congresso.
 

Parte da bancada não acompanha

Pelo menos por enquanto, apenas três parlamentares piauienses estão confirmados na comitiva de Jair Bolsonaro que desembarca na quinta-feira em São Raimundo Nonato: Ciro Nogueira, Iracema Portella e Margarete Coelho. São os “neo bolsonaristas” da bancada, que conta com vários outros aliados do presidente. Mas uma parte não estará por recomendações médicas, a começa pelo senador Elmano Ferrer, o bolsonarista de primeira hora, que apoiou o agora presidente ainda no segundo turno da campanha de 2018.

Elmano tem mais de 70 anos, situação idêntica à do senador Marcelo Castro (fez 70 anos em junho) e de Átila Lira (completou 72 em abril). Elmano não participa de nenhum evento público desde o final de março, seguindo os cuidados técnicos relacionadas à pandemia. É o mesmo cuidado que vem tendo Marcelo, recolhido ao seu apartamento funcional há quatro meses. E Átila tem evitado participar de eventos que não sejam virtuais, também receoso do coronavírus. A eles se somam os petistas Rejane Dias e Merlong Solano, que não estarão na visita presidencial por questões políticas.