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Mudança em MP pode garantir mais R$ 12 bi para pequenos negócios

A Câmara dos Deputados deve votar ainda hoje mudança na MP 944 que criou o Pronampe, o programa que integra as ações emergenciais de enfrentamento à pandemia e leva apoio às micro, pequenas e médias empresas. O Pronampe é uma entre várias ações do governo federal de socorro às empresas e vem sendo vista como a que teve real efeito junto ao segmento de pequenos negócios, já que os estímulos governamentais aos bancos não geraram taxas atrativas. A intenção é colocar mais dinheiro disponível para micro, pequenas e médias empresas – isto é, aqueles negócios que faturaram no ano passado até R$ 4,8 milhões.

O segmento é o mais afetado pela crise que veio na esteira do coronavírus. Dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que cerca de 750 mil pequenos negócios já fecharam suas portas desde o início da pandemia. E a grande maioria dos que sobreviveram reclama da falta de acesso ao crédito. Ainda segundo a FGV, das pouco mais de 17 milhões de pequenas empresas, 8 milhões revelam ter compromissos financeiros em atraso. A procura de crédito era uma alternativa, mas não adiantou muito: dos 7 milhões de pequenos empreendedores que foram atrás de crédito, só 1 milhão tiveram êxito.

Diante das dificuldades para contratação de empréstimos, o Pronampe se mostrou um sucesso: em 20 dias (meados de junho a início de julho) os R$ 18,7 bilhões disponibilizados simplesmente se esgotaram. Isso pelas condições diferenciadas (taxa Selic mais 1,25% de juro ao ano) e também pela simplificação das exigências burocráticas. A mudança visa ampliar esse crédito em mais R$ 12 bilhões, reforçando o aporte para o segmento que mais sofre com a crise econômica.

A aprovação não deve enfrentar nenhum problema, já que o governo tem interesse no aporte extra de crédito.
 

Pequenos negócios passam por ajustes

A avaliação é praticamente unânime: nunca houve uma crise de impacto tão poderoso e em tempo tão curto sobre as empresas. Mas os especialistas apostam em uma recuperação forte e com nova formação dos negócios, especialmente entre os pequenos empreendedores. Um que pensa assim é o presidente nacional do Sebrae, Carlos Melles. Ele observa que alguns ramos estão conseguindo ampliar as vendas através de novas estratégias como o uso dos canais digitais. Isso redimensiona o pequeno negócio, que – acredita Melles – está sendo mais valorizado na sociedade.

Os dados mostram que as vendas por canais digitais apresentaram um crescimento muito expressivo apontando para a presença de novos empreendedores no setor. Quer dizer: o mundo da venda por canais digitais não é mais exclusivo das grandes empresas. Também o negócio local aderiu a essa nova tendência de aproximação com o cliente em tempos de pandemia. Vale para o supermercado de bairro e até mesmo para a frutaria da esquina, que recebe o pedido por aplicativo e embala tudo para ser levado até o comprador, ou até que o comprador vá pegar os produtos.