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Bolsonaro cria ambiente para ‘nacionalização’ das campanhas municipais

Bolsonaro nas campanhas municipais: em Sete Lagoas (MG) o debate se dá em torno do presidente da República

Até bem pouco, as análises sobre a campanha municipal deste ano no Piauí apontavam uma tendência à “estadualização”, como um embate prévio entre os dois grupos que são vistos como adversários diretos e principais da disputa de 2022. De um lado, o grupo liderado pelo governador Wellington Dias (PT); de outro, a aliança comandada pelo senador Ciro Nogueira (PP). Nos últimos dias, no entanto, já começa a se olhar a disputa municipal com uma outra lente: ao invés da “estadualização” poderemos ter uma “nacionalização” da campanha, onde a figura divisora seria o presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro não passa despecebido, nem sem discussão. E a possibilidade de se ter Bolsonaro no centro do embate já havia sido apontada por Elivaldo Barbosa em recente comentário na TV Cidade Verde. Elivaldo se referia à disputa no Piauí, mas o fenômeno da "nacionalização" começa a pautar as disputas em diversos estados brasileiros. O debate sobre as questões locais vai ficando em segundo plano e o que aparece nos enfrentamentos é dizer se está a favor ou contra Bolsonaro. Essa polaridade a partir dele próprio deve interessar muito ao presidente, totalmente empenhado em construir um cenário em que ele possa ter viabilidade no projeto de reeleição.

Os exemplos de “nacionalização” das disputas municipais começam a ser mostrados em diversos locais. Um que ganhou projeção nacional foi a disputa na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais. Lá, um dos grupos políticos usou espaço em outdoor para festejar o presidente da República: “7 Lagoas apoia Bolsonaro”, dizia o cartaz que reproduzia ainda o bordão "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". A resposta dos adversários veio em seguida: “7 Lagoas apoia a ema que bicou Bolsonaro”, destacava a peça acrescentando informações negativas sobre a pandemia do coronavírus.

As questões específicas do município não apareceram nos cartazes.
 

Ciro assume Bolsonaro sem reservas

Aqui no Piauí, a relação com Bolsonaro coloca em campos marcadamente opostos os grupos liderados por Wellington e por Ciro. Os petistas torcem o nariz para o presidente. E o senador assumiu sem reservas seu bolsonarismo, fazendo vídeos seguidos sobre andanças nos ministérios e liberação de recursos para municípios e até mesmo para o Estado – como a verba destinada para ampliação da capacidade de exames no Lacen. Esse engajamento ficou evidente na visita de Bolsonaro ao Piauí, ontem.

Ciro fez diversos vídeos mostrando o presidente em São Raimundo Nonato, no parque da Serra da Capivara. Presenteou Bolsonaro com uma camiseta do River e fez uma gravação com Marcelo Álvaro Antonio, em que o ministro do Turismo anuncia verbas para a região, carimbando todas com o nome de Ciro. É curioso, no entanto, notar a atitude do principal aliado de Ciro Nogueira, o prefeito Firmino Filho. O prefeito fez duras críticas a Bolsonaro – talvez para não melindrar tanto o eleitor teresinense diante do elevado bolsonarismo do senador.