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Disputa em Picos terá impacto sobre candidaturas ao governo em 2022

Que as disputas municipais são a ante sala da eleição geral de dois anos depois, isso não representa nenhuma novidade. Mas as municipais deste ano no Piauí guardam emoções especiais particularmente em duas cidades: Teresina, por ser a capital, e Picos, por dizer muito do enfrentamento entre os dois grandes grupos que se preparam para o enfrentamento de 2022 e também por impactar especialmente dentro do PT. O partido que atualmente detém o poder no Estado trava um delicado jogo de acumulação de forças entre os diversos grupos internos, e particularmente entre algumas estrelas do petismo piauiense.

O roteiro de 2022 está longe de ser definido. Mas cada um quer tomar para si a responsabilidade de escrevê-lo. Quando estava à frente do partido, o deputado Assis Carvalho trabalhava para ser protagonista nessa escrita, e desenhava de uma forma a ter condições de influir para levar Regina Souza à disputa pelo Karnak. Assis não está mais entre nós, mas Regina segue como uma alternativa. O principal contraponto interno é o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles.

Rafael tem alguns entusiastas de primeira hora, como a deputada Flora Izabel. Mas ele próprio joga suas cartas, uma delas através da candidatura do sogro, o empresário Araujinho, que sempre foi ligado ao MDB de Kleber Eulálio mas filiou-se ao PT para ter as bênçãos do petismo na intenção que tem de chegar à prefeitura de Picos. Se Araujinho for eleito, fortalece muito o genro no jogo interno pela indicação de uma eventual (ou mesmo provável) candidatura petista à sucessão de Wellington.

É, no entanto, um jogo que está apenas começando. Até porque o andamento do roteiro vai depender muito dos rumos do próprio governo comandado por Wellington.
 

Picos terá embate especial entre Ciro e Wellington

As eleições de Picos não são olhadas com atenção apenas pelos petistas. Também os progressistas de Ciro Nogueira dão especial atenção ao confronto que vai colocar de um lado o PT e, do outro, o Progressistas. O que há de comum entre os dois olhares? As eleições de 2022, que deve colocar em lados opostos Ciro e o governador Wellington Dias, que dividiram palanque nas duas últimas disputas estaduais. O confronto municipal, na verdade, será uma repetição de 2016, só em que com uma tensão mais elevada - o que aponta para a separação futura.

Ciro joga algo nas eleições municipais. Wellington também. Os dois querem formar um poderoso pé-de-meia eleitoral. Os petistas querem passar das 50 prefeituras próprias, além de outro punhado de prefeituras ocupadas por aliados instalados em outras siglas. O Progressistas tem hoje mais de 80 prefeitos. Quer pelo menos repetir a dose como base para a candidatura de Ciro ao Palácio do Karnak. Além disso, Ciro também quer contar com outras siglas, a começar com o PSDB hoje instalado na prefeitura de Teresina. Nesse sentido, manter Teresina é estratégica para o líder dos progressistas.