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Wellington muda estilo e se arma contra Ciro, de olho em 2022

O governador Wellington Dias (PT) mudou o estilo. E tudo dentro do roteiro que leva a 2022, quando espera ter pela frente o grupo liderado pelo senador Ciro Nogueira (PP). E já que a situação é irreversível, eis que surge o novo Wellington: ao invés do político que nunca comprava briga com ninguém e se dispunha sempre à conciliação e congregação, o governador puxou a peixeira. Forçou o rompimento de Ciro com o governo e, também dentro de um novo estilo, passou a investir pesado nas eleições municipais, particularmente a de Teresina.

Wellington chegou ao governo exatamente pela capacidade de não brigar: em 2002, quando a oposição (órfã das negativas de Firmino e outros) se ressentia da falta de alternativas, ele foi lembrado. Vinha da esquerda (à época) barulhenta mas não metia medo precisamente pela flexibilidade e maciez. Em 2014, quando deixou o governo de Wilson Martins, de fato “foi deixado”. Também naquele momento não puxou a peixeira. Em 2018, fez-se surdo às provocações de todos os lados e conservou a enorme barca de aliados – uma barca que muitos previam naufragar mas que Wellington manteve a flote.

Agora ele parte para o confronto. Viu que não adianta apostar a possibilidade de união com Ciro em 2022, tanto pelo fator local como pelo cenário nacional onde o líder do PP é cada vez mais bolsonarista. Fato consumado, faltava oficializar. Ele forçou a oficialização. E agora parte para fortalecer sua base e enfraquecer a de Ciro. E tem dedicado especial atenção a Teresina, onde o PT (sobretudo Wellington) nunca fez cavalo de batalha. Aqui o PT só alcançou votação razoável (acima de 20%) em duas das 9 eleições.

Mas agora Wellington quer ganhar Teresina, mesmo que seja com Dr. Pessoa. Será uma forma de tirar chão do adversário de 2021: Ciro Nogueira.
 

Aposta na ‘revolução do Fundef’

O grupo que comanda o governo do Estado, Wellington Dias à frente, reconhece que o tempo gera desgaste. Mas aposta alto em uma forte recuperação com um conjunto de ações programadas para os próximos dois anos. No centro dessas ações estão os recursos do precatório do Fundef, que soma R$ 1,65 bilhão. Nos dizeres de Wellington, vai ser feita uma revolução na educação. Mas com efeito político muito além do educacional, já que a aplicação da bolada do Fundef passa por um vistoso calendário de obras.

A intenção é transformar o estado em um canteiro de obras. E permitir que essas ações impactem sobre o fator que tende a ter muito peso nos próximos meses, até pelo menos o final do próximo ano: a geração de emprego. Depois de uma década com três anos (2015, 2016 e 2020) de queda vertiginosa da atividade econômica, o emprego segue entre as prioridades dos brasileiros. E no Piauí o governo de Wellington Dias quer dar respostas principalmente com os recursos do Fundef – um dinheiro que não precisa mais das bênçãos de Ciro, o homem que nos últimos anos foi o principal carreador de verbas para o Piauí, inclusive para o governo petista.