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Como Lula e Dilma, Wellington cria ‘um PAC’ para fortalecer Rafael

Disposto a enfrentar a candidatura de Ciro Nogueira (PP) ao governo do Estado em 2022, o governador Wellington Dias (PT) já tem o seu escolhido: é o secretário de Fazenda, Rafael Fonteles. E Wellington usa aqui uma estratégia bem conhecida dos brasileiros, quando Lula escolheu Dilma Rousseff como sua candidata ainda dois anos antes da disputa de 2010. Rafael é “a Dilma de Wellington”, com direito a um PAC particular, no caso o que foi chamado ontem de “Pro-Piauí 2” – um conjunto de obras a ser coordenado pelo próprio secretário de Fazenda pelos próximos dois anos.

A ruptura com Ciro Nogueira foi o cenário que Wellington utilizou para iniciar a “operação 2022”, com o carimbo de Rafael Fonteles à frente das ações. Assim como Lula colocou Dilma para tocar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), aqui será Rafael a assumir a função de tocador de obra, incomum para um secretário de Fazenda. Também caberá a Rafael – essa sim, uma tarefa mais afeita à pasta da Fazenda – o papel de interlocutor com o setor produtivo. A ideia é marcar nele o carimbo de realizador, assim como Lula fazia com Dilma: ela era a mãe das moradias, das estradas, das linhas de energia etc.

Aqui Rafael vai dividir com o próprio Wellington a paternidade de todas as ações que terão uma ideia comum: a revitalização econômica do Estado. Vai assumir até mesmo a “revolução na educação” prometida pelo governador a partir dos recursos do precatório do Fundef, uma bolada de R$ 1,65 bilhão. A escolha de Wellington mostra que o governador teve que fugir às suas características de deixar para depois, depois... até decidir na última hora quem são seus candidatos majoritários. Foi assim em 2010. Foi também assim em 2018.

Diante do visível avanço de Ciro Nogueira, o governador teve que antecipar o cronograma particular. E joga suas fichas em Rafael Fonteles.
 

Escolha praticamente encerra debate interno

No PT, nada se decide sem amplo debate. Mas a explícita estratégia de fortalecer Rafael Fonteles diminui muito a força do debate interno sobre quem vai ser o nome do partido para a disputa do Karnak em 2022. Rafael Fonteles recebe o aval de Wellington quase dois anos antes da data em que se espera que o governador deixe o cargo para uma possível candidatura ao Senado. Ou seja: toma a decisão em um momento em que ainda tem caneta cheia, muito cheia sobretudo depois do precatório do Fundef. E ninguém costuma ir contra uma caneta com tanta tinta.

Quem perde dentro do partido é Regina Souza, que já havia perdido há pouco mais de um mês seu principal defensor como alternativa ao Karnak – o deputado Assis Carvalho, falecido. O empenho claro de Wellington por Rafael tende a minar outros apoiadores de Regina. Para completar, muitos aliados (por exemplo, dentro do MDB) vem festejando a escolha do secretário da Fazenda, que começa agora pra valer a desempenhar seu papel de “Dilma do Wellington”.