Cidadeverde.com

Brasileirão: começou o campeonato dos endividados

Começou ontem o Brasileirão 2020, o campeonato nacional de futebol que este ano, mais que em qualquer outro, pode ser chamado de campeonato dos endividados. Segundo relatório anual do Itaú-BBA, que analisa a saúde financeira dos 25 principais clubes de futebol do país, pouco mais de um quarto tem uma realidade considerada equilibrada. E com um detalhe agravante: o relatório diz respeito à situação lida no final do ano passado, quadro que – conforme adverte o documento – deve ter se agravado sensivelmente no primeiro semestre deste ano por conta da pandemia.

De acordo com o relatório, os clubes com finanças equilibradas são apenas 7, contra 18 que se situam no campo do desequilíbrio. O critério que coloca um clube de um lado ou de outro é o montante das dívidas de curto prazo em relação às receitas. O relatório aponta que uma dívida entre 30% e 40% acima das receitas já é uma situação complicada. Ainda assim, o documento coloca em situação de equilíbrio os que têm até 45% de receita comprometida com dívidas de curto prazo. E até esse divisor, só são 7.

A situação mais dramática é a do Sport Recife, cuja dívida de curso prazo corresponde a 339% das receitas. Esse balanço referente a 2019 tende a ficar pior, por dois motivos: primeiro, a pandemia que achatou as receitas previstas de todos os clubes; segundo, os gastos adicionais que o Sport está fazendo agora que voltou à Série A. A segunda pior situação é a do Cruzeiro, recém rebaixado, com dívida 224% maior que as receitas. O terceiro é o Botafogo (153%), seguido do Vasco (127%), Atlético Mineiro (125%) e Corinthians e Bragantino, ambos com 111%.

Os sete de bem com a vida são: Goiás (3% de dívida de curto prazo), Ceará (4%), Fortaleza (17%), Grêmio (25%), Flamengo (27%) e Bahia e Atlético de Goiás, os dois com 33%.

Sport faz campanha para atrair sócios

O Sport sabe das dificuldades que tem pela frente, muito além das quatro linhas. E as dívidas de curto prazo estão sufocando o clube: apesar de ter conquistado no ano passado o ascenso à Séria A, a falta de grana fez o time passar aperto no estadual a ponto de correr o risco de ser rebaixado para a 2ª divisão do pernambucano. Para tirar a corda no pescoço, o clube está com uma agressiva campanha para atração de sócios.

É uma campanha que vai muito além das fronteiras pernambucanas: quer ser uma paixão nordestina, tanto que vende o conceito de “maior do Nordeste”, inclusive com site assim registrado. Com as adesões, quer fazer caixa. Mas precisa de volume. E por isso os planos são para todos os bolsos, em oito formados diferentes com mensalidades de R$ 10 a R$ 385. Cada plano dá vantagens específicas, que vai de desconto na compra de ingressos até preferência na aquisição das entradas, bem como descontos na compra de material esportivo e atividades do clube.