Cidadeverde.com

A hora dos prefeitos tomarem juízo, mesmo que não desejem

A posse dos novos prefeitos, ontem, Brasil afora, teve um tom predominante: o aceno para a necessidade de austeridade. A melhor tradução dessa – digamos – tendência foi a fala do novo prefeito de Belo Horizonte. Em dado momento de seu discurso, Kalil virou-se para os vereadores e fez um apelo, que também pode ser tomado como um desafio: “Todo o dinheiro dessa prefeitura não será canalizado para troca de favores. Então eu peço aos vereadores muito juízo. Todos nós precisamos de muito juízo”.

Esse novo mandato é uma boa chance para os prefeitos: chegou a hora dos gestores tomarem juízo.

E aqui vale acrescentar: não é uma questão de querer. É “precisão”! Necessidade!

Os administradores públicos brasileiros, em geral, são intrigados com as noções de gestão e utilizam os cargos guiados pelos instintos políticos. Daí, a regra é a falta de planejamento, ausência de objetividade nos projetos e descaso com o elementar equilíbrio entre receitas e despesas. A falência de estados como Rio de Janeiro é resultado dessa cultura da “cortesia com o chapéu alheio” – no caso, o chapéu do cidadão.

Os novos prefeitos não terão outra alternativa: ou tomam juízo ou serão destroçados pela opinião pública, pela cidadania carente de serviços essenciais. Alguns já tomaram medidas duras, como o prefeito do Rio, Marcelo Crivela (PRB), que reduziu as secretarias municipais pela metade: eram 24, agora são 12. Não por acaso, Firmino Filho (PSDB), em Teresina, começou a cortar gastos em uma máquina já considerada razoavelmente enxuta.

A realidade é difícil. O dinheiro é curto e as demandas são muitas. As cidades brasileiras têm carências absurdas em mobilidade urbana, na educação pública muito longe de ser um modelo e na saúde, um caos em quase toda parte. Para piorar, a crise econômica ainda vai impor um 2017 de escassez. Assim, não há outra saída: ou os prefeitos tomam juízo e aprendem a gerir os poucos recursos públicos, ou simplesmente vão penar, ampliando o caos administrativo e amargando a condenação pública. E que os vereadores também tenham consciência disso, evitando transformar seus mandatos em balcão de "favores".

A cada novo ano diz-se que temos 365 novas oportunidades. Os prefeitos não têm tantas. Se querem mesmo fazer bonito e ficar bem na fita, sequer podem se dar ao luxo de esperar o próximo dia. Precisam fazer ajustes urgentes. Porque, como em qualquer orçamento doméstico, o ajuste que não é feito hoje, vai se tornando uma grande bola de neve a cada novo dia.

Quem tiver juízo, não vai deixar essa oportunidade para depois de amanhã.