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PSD de Júlio César pode assegurar eleição de Maia

O PSD do deputado Júlio César pode sacramentar nesta semana a eleição sem sobressaltos de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para um novo mandato na presidência da Câmara dos Deputados. Em todos os prognósticos, Maia é o favorito na eleição que ocorre dia 1º de fevereiro. Mas há uma preocupação, sobretudo dentro do Palácio do Planalto: evitar que uma disputa acirrada gere problemas políticos, fragmentando a base parlamentar do governo Temer.

A possibilidade de confronto tem nome e sobrenome: o deputado Rogério Rosso, do PSD do Distrito Federal, em campanha agressiva nas redes sociais e também nos bastidores da política nacional. É verdade que Rosso faz mais sucesso fora que dentro do Congresso, no desejo de tomar a cadeira de Maia. Mas não são poucos os que estão reforçando a candidatura do pessedista, achando que o posto deveria caber ao chamado Centrão – base formada por um punhado der partidos conservadores, onde o PSD se destaca. 

Para o Planalto – isto é, para Michel Temer –, é aí que mora o perigo: a refrega interna pode se transformar em animosidade e divisão da base do governo. Para evitar esse conflito indesejado, Temer agiu e está contando com um apoio importante: o do ministro Gilberto Kassab, o líder do PSD de Rosso. Kassab está atuando para convencer Rosso a desistir da candidatura.

A atuação de Kassab é discreta mas intensa. A discrição é para não evidenciar o mais-que-evidente: a preferência de Temer por Rodrigo Maia. A intensidade é porque faltam apenas duas semanas para a eleição. E o ministro quer chega a um entendimento com Rosso bem antes disso, para que Rodrigo possa lançar-se oficialmente sem um adversário dentro da própria base governista.

Tão logo entre em entendimento com Rosso, Kassab deve anunciar o apoio formal do PSD à candiatura de Rodrigo Maia. E aí vem mais uma ironia da política: o PSD surgiu como uma dissidência do DEM, precisamente por conta de divergências entre Kassab e Maia. Quando houve a divergência, Rosso acompanhou o ministro. Pois bem: Kassab está com Maia, e em desacordo com Rosso.


Temer, Maia e Kassab: aliança para evitar fraturas na base parlamentar do governo