Cidadeverde.com

Presídios brasileiros não conseguem fazer nem vistoria?


Rebelião em Manaus: faceta do caos nos presídios brasileiros que não conseguem sequer fazer vistoria

 

A decisão do governo federal de oferecer as Forças Armadas para atuação dentro dos presídios estaduais revela o que é óbvio: falta um mínimo de eficiência na administração prisional brasileira. A tarefa principal dessas forças altamente especializadas será a de... fazer vistoria dentro dos presídios. Na prática, essa decisão mostra que o sistema prisional não funciona no elementar, que é a entrada nas cadeias do que não pode, como droga, celulares e armas.

Olhando assim, pode-se concluir que o sistema está condenado, falido!

Vamos e venhamos: soa absurdo o uso das Forças Armadas para tarefa tão trivial. Certamente, os integrantes de Exército, Marinha e Aeronáutica receberam treinamento para situações muito mais sofisticadas. Mas é até compreensível que sejam a válvula de escape do país, diante da gravidade da crise vivida nos presídios, com reflexos sobre a segurança dos cidadãos em praticamente todos os estados.

Como disse o secretário de Segurança do Amazonas, após a matança do Dia de Ano, nem celular nem arma tem asa. Se há armas dentro dos presídios, é porque alguém levou. E o ingresso de objetos proibidos ou se dá através de visitantes ou de algum agente penitenciário. Num caso ou noutro, a situação é negativa para os agentes, acusados de corrupção ou incompetência.

Tal constatação obriga a uma completa reflexão sobre esse sistema. Se não funciona, precisa ser redefinido, modificado. E não esquecendo que a vistoria, por mais eficiente que seja através dos representantes das Forças Armadas, não encerra o assunto. O problema é muito, muito maior.
 

Outra faceta da (in)segurança brasileira

Dentro do Plano Nacional de Segurança, o governo federal vai desenvolver ações sociais em áreas com índices mais acentuados de violência. Essas ações serão feitas através do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). É o reconhecimento de que a questão da (in)segurança pública é muito mais que um problema de polícia.

O Plano vai começar por Aracaju, Natal e Porto Alegre. Das três, duas cidades do Nordeste – região que conta com os indicadores de violência mais expressivos. Vale lembrar, Fortaleza e Maceió têm apresentados tristes recordes de violência. As duas são capitais de estados onde a desigualdade é tremenda. E a desigualdade costuma ser parceira íntima da violência.