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Universidades públicas desperdiçam mais de metade das vagas


Universidade pública: fatores como a crise econômica aumentam a evasão e, portanto, o desperdício de vagas


A Universidade Pública brasileira passa por uma enorme crise, com alcance múltiplo. Há crise financeira, de credibilidade, de resultados. E, mesmo diante da escassez de recursos verificada nos últimos anos, a realidade pode ser vista de modo mais dramático quando se observa o quanto de dinheiro é jogado fora. Um exemplo dessa realidade é a perda de vagas, traduzida na evasão de universitários.

Em grande parte dos cursos superiores – há exceções, claro, como o de Medicina –, o número de formandos fica longe da metade do número de ingressos por período. Em nível nacional, os que conseguem o diploma ficam abaixo dos 40% dos que ingressam na universidade. Como é parte dessa realidade geral, a UFPI mantém a média, como bem revelam diversos exemplos. O Curso de Agronomia, sempre tão festejado, chegou a ter turmas com menos de 15 formandos, contra os 40 que ingressam a cada semestre. Comunicação Social, que também seleciona 40 alunos por semestre, teve a última turma de formandos com apenas 17. Num caso e noutro, menos da metade dos que entraram estão saindo com diploma.

Na prática, as vagas não aproveitadas são um enorme desperdício. Dinheiro não utilizado.

O fenômeno não chega a ser novo, como uma crônica de uma crise anunciada. Mesmo assim, a explicação para tal fenômeno não é simples: há diversos fatores que interferem nesse resultado. A própria crise econômica, que já dura mais de 4 anos, reforça esse cenário, pois muitos alunos são obrigados a abandonar a sala de aula em nome da sobrevivência. Há ainda alunos que entram em cursos com os quais não têm afinidade: escolhem esse ou aquele simplesmente porque foi o que a pontuação do Enem permitiu.

E há também o próprio pouco caso com a coisa pública. Numa faculdade privada, perder um semestre pode gerar muitas broncas em casa, diante da sensação de desperdício de dinheiro efetivo, traduzido nas mensalidades e outras taxas. Na instituição pública, perder um semestre não traz a mesma sensação: ninguém meteu a mão no bolso para pagar mensalidade. Mas é dinheiro público jogado fora – porém, no Brasil, o público é visto não como algo de todos, mas como uma coisa de ninguém.

O mais grave nisso tudo é que há uma sensação de que esse problema ainda não afeta significativamente o debate no seio das universidades públicas brasileiras. Não há discussão de resultados, nem sobre a quantidade de alunos formados a cada ano ou a cada semestre, tampouco a qualidade desses egressos.