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Posse de Trump afeta o Brasil. E muito


Trump, um furacão cuja intensidade o mundo começa a conhecer mesmo a partir de amanhã

 

Em tempos de globalização, ainda tem quem olhe fatos como Brexit, a crise dos refugiados e a eleição de Donald Trump como uma coisa distante, e que não tem nada a ver com a gente. Tem sim. E muito. Não por acaso, o Itamaraty faz das tripas coração para entender o jogo – esse talvez seja o termo mais apropriado para quem é dono de cassinos: o jogo – do novo presidente dos Estados Unidos, que toma posse amanhã.

O Itamaraty começa essa discussão de uma saia justa: o chanceler José Serra nunca escondeu a preferência pela eleição da democrata Hillary Clinton. E agora tem que corrigir a falta de diplomacia. Some-se a isso o óbvio: qualquer movimento dos estados Unidos gera efeitos no mundo inteiro. E o Brasil tem que estar atento a isso, até porque as manifestações de Trump desde a campanha, inclusive após a eleição, são preocupantes para países como o nosso.

Vale recordar: os Estados Unidos são a maior economia do mundo. Os movimentas dessa economia geram uma onda ao redor do planeta, sobretudo quando adota uma postura protecionista que busca resgatar o velho poder industrial norte-americano. Na linguagem mais técnica: Trump aposta numa política isolacionista, interagindo menos com outros países. O efeito imediato: tira forças das outras economias ao redor da terra.

Isso é particularmente um problema para o Brasil, que tem nos Estados Unidos um dos destinos fundamentais de seus produtos. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, diz que “as relações entre nossas economias e sociedade são muito fortes, e nenhum governo trabalhará para seu enfraquecimento”. A fala é mais um desejo que uma certeza.

Os mercados estão em expectativa, no Brasil e no resto do mundo. Trump tem feito mais marketing que qualquer outra coisa e cada declaração sua deve ser tomada como tal. Devemos esperar as ações. Porém, as primeiras – traduzidas nas indicações para composição do novo gabinete – são preocupantes. A grande maioria dos indicados tem a visão protecionista, o que indica o restabelecimento de uma política sepultada desde Roosevelt, há mais de 80 anos.

Quaisquer que sejam as ações de Trump, elas afetarão nossa terrinha, aqui nos trópicos. É torcer para que o efeito não seja o fuçarão devastador que tantos prognosticam. E que prevaleçam a torcida do presidente da CNI, de efeito mínimo do pós 20 de janeiro.

Já que muitos consideram Trump um furacão, que, pelo menos, seja um furacão de categoria 1, aqueles mais brandos. Ou que se torne uma mera tempestade tropical, que já pedir que Trump seja uma brisa, é um pouco demais.