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O Poder não é mais a mesma coisa. E Trump já sente


Trump: início de gestão com apenas 40% da confiança dos norte-americanos

 

Donald Trump assume hoje como o 45º presidente dos Estados Unidos. E o ocupante deste cargo costuma ser identificado como “o homem mais poderoso do mundo”. O problema é que o Poder não é mais tão poderoso assim, afirmação que cabe inclusive para o presidente dos Estados Unidos.

A questão é que o poder – entendido como a capacidade de conseguir que outros façam ou deixem de fazer algo – está passando por transformações históricas muito grandes. E, no caso de ocupantes de cargos públicos, essa mudança é drástica, sequer havendo mais o espaço para a “lua de mel” das primeiras semanas ou primeiros meses de gestão. E o próprio Trump é exemplo dessa mudança.

O novo presidente norte-americano chega à Casa Branca sob a desconfiança de mais da metade do país. Segundo pesquisa, apenas 40% dos norte-americanos confiam em Trump. Para efeito de comparação, quando assumiu o primeiro mandato, em 20 de janeiro de 2009, Obama tinha 84% de confiança. No caso de George W. Bush, o índice era de 71%; o de Bill Clinton, 67%.

Quer dizer: não há mais muito espaço para a paciência. O cidadão tem pressa e julga apressadamente.

A raiz das mudanças é, portanto, a relação entre representante (governante) e o representado (cidadão). Tudo isso agravado por cenários de governança complexo que implicam em um poder cada vez mais partilhado. E o poder traduzido em uma pessoa se vê cada vez mais fraco.

Esse entendimento é reforçado por Moisés Naim, autor de O Fim do Poder. Para ele, “a distância entre o nosso real poder e o que as pessoas esperam de nós é o que gera as pressões mais difíceis que um chefe de Estado tem que suportar”. E Trump começou a sentir essas pressões antes mesmo de tomar posse.

As limitações do poder podem ser sentidas entre a campanha e a posse: os eleitos vão ajustando as promessas à realidade palpável, à real capacidade de resolver problemas. Isso pode ser visto também Brasil afora, no caso dos recém-empossados prefeitos. João Dória, em São Paulo, já se desfez de várias propostas. Ou não são factíveis, ou a cidadania cobrou adequações.

Essa interação com a cidadania – portanto, com novas instâncias decisórias – é a faceta mais forte do novo modo de exercício de poder. Há cobranças que se renovam a cada dia, às quais o gestor tem que responder. E nem a mais ampla interação resolve o problema porque a cidadania não é homogênea. Há vários segmentos, com demandas as mais diversas. E um sentimento que é minoria agora pode deixar de ser em seguida.

Daí, o mais comum daqui por diante não é o Homem de Poder festejado e elogiado. Muito pelo contrário: o mais normal será o poderoso encurralado entre as diversas e conflitantes tendências no seio da cidadania.