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No primeiro momento, Trump segue Trump. E preocupa

Ele foi agressivo. Fanfarrão. Populista. E as teses protecionistas deram o tom do discurso de posse. Traduzindo: Donald Trump foi completamente Donald Trump no primeiro momento do governo que acaba de assumir. Também foi completamente Trump no que não lhe cabe diretamente: as manifestações de protestos estavam nas ruas, algo que não se via desde os tempos da Guerra do Vietnã.

Na primeira fala já entronado no cargo, o novo presidente dos Estados Unidos manteve a agressividade de sempre. Atacou os políticos sem cerimônia e, populista, disse que o poder será devolvido ao povo. Essa agressividade preocupa muita gente de bom-senso, porque aprofunda a divisão de um país que saiu das eleições de novembro dividido em dois. Quando muitos esperavam um tom que serenasse os ânimos e apontasse para reconciliação da Nação, Trump seguiu no palanque desembainhando as armas de antes.

O discurso também preocupa pelo que diz respeito à economia e às relações comerciais. A visão nacionalista – isto é, protecionismo econômico – aponta para problemas para muitos outros países, inclusive o Brasil. Foi claro quanto a essa prioridade ao dizer que “defendemos as fronteiras de outros países enquanto nos recusamos a defender as nossas próprias". Ou que o país gasta “trilhões e trilhões de dólares além mar, enquanto a infraestrutura dos Estados Unidos caiu em degradação e deterioração".

O discurso pega bem, mas sabe-se que não corresponde aos fatos. Os Estados Unidos sempre gastaram muito dinheiro fora de suas fronteiras, mas sempre de olho no retorno que isso possibilitava, dentro. De qualquer forma, a fala de Trump alarma nações mundo afora, por representar um isolamento que olha no imediato, na geração de emprego e em uma política que recua quase 90 anos – e que nem gerou empregos.

A grita na Europa foi quase geral, num espanto que recoloca o novo presidente no mesmo lugar em que estava antes de 9 de novembro: no rol das grandes incógnitas, que traz uma enorme desconfiança. Com um agravante: o discurso de um Trump já empossado é mais que uma fala para conquistar votos. É um indicativo real de diretriz de governo. E é exatamente isso que deixa meio mundo de cabelo em pé.


Trump/Bane agora enfrenta Batman

 

Trump no melhor estilo Coringa x Batman

Nada de filósofos. Tampouco poetas. Nem estadistas ou humanistas. A citação referencial de Trump em seu discurso de posse foi Bane. Você vai perguntar: Bane? Quem é Bane? Ora, Bane é um vilão do filme Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

“A cerimônia de hoje, no entanto, tem um significado especial, porque não estamos meramente transferindo o poder de um governo para o outro, ou de um partido para o outro, e sim estamos transferindo o poder de Washington D.C e o devolvendo a vocês, o povo”, disse Trump.

O final é igualzinho a uma fala de Bane no filme, quando discursa para prisioneiros recém-liberados em Gotham City.

“Vamos tomar Gotham dos corruptos! Dos ricos! Dos opressores de gerações que oprimiram vocês com mitos de oportunidade. Vamos devolvê-la a vocês, o povo.”

Para uns, foi uma citação acidental, sem querer. Vindo de Trump, difícil acreditar. Pode parecer estranho. Mas, diante do tanto de barbaridade que disse na campanha – para dar no que deu –, mais uma não traria nenhum estrago. Pelo contrário: gera memes, mais visibilidade e seguidores nas redes sociais.

Algo mais Trump que isso?