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Verdade, mentira e fato alternativo. Novo ângulo da notícia?

Nos últimos dias, dois episódios chamaram atenção para o tratamento dos fatos, especialmente os que se relacionam com a política. O primeiro foi a enxurrada de especulações em torno da morte do ministro Teori Zavascki. O segundo, a declaração do porta-voz da Casa Branca, que incorreu em deslavada mentira. 

No caso da morte de Zavascki, as redes sociais reproduziram à exaustão informações (sem nenhuma base) que eram colocadas como verdade. As redes informavam detalhes de entrevistas que nunca ocorreram ou de acontecimentos extraordinários simplesmente inventamos. 

Já no caso do assessor de Trump, a mentira ganhou novo nome: fato alternativo. A novidade veio quando o porta-voz afirmou que a imprensa mentia ao dizer que houve mais gente na posse de Obama que na de Trump. 

Os fatos, os dados (por exemplo, movimento do metrô) e as fotos mostram absurda distância entre um evento e outro. Pegou mal. Apesar disso, a Casa Branca saiu em defesa do assessor. E um outro assessor disse que ele não mentiu. Apenas se valeu de "fatos alternativos".

Os dois episódios são importantes porque trazem à discussão o novo contexto da informação, ainda mais depois de 2016, que ficou conhecido como o ano da "pós-verdade" – isto é, as pessoas se apegam à sua verdade, independente dos fatos.

Esse tipo de postura já era comum no mundo político. Mas extrapola todas as fronteiras e é assumido pelo cidadão comum, dono da sua verdade particular, independente dos fatos. 

E passa a ser um novo ângulo da informação. Agora, os veículos tradicionais não podem simplesmente desdenhar dos boatos. Na Era das redes sociais, os boatos ou especulações precisam ser "desinformados".  Foi assim com a enxurrada de "falsos fatos" em torno do caso Zavascki. 

Essa é a nova regra informativa. E não é nada fácil de ser levada à pratica.