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Ciro e Firmino afinam projetos. Mas qual é mesmo o projeto?


O cirista-mor Júlio Arcoverde e a nova estrela do PP, a primeira-dama Lucy Silveira

 

Os movimentos dos últimos meses, especialmente os dos últimos 30 dias, apontam que o senador Ciro Nogueira (PP) e o prefeito Firmino Filho (ainda PSDB) têm projetos comuns. O sinal mais evidente é a ida da primeira-dama de Teresina, Lucy Silveira, para as filas do partido presidido por Ciro. Não é uma filiação qualquer.  E deixa evidente que Firmino não quer estar atrelado ao projeto tucano.

A filiação de Lucy ao PP indica que Firmino e Ciro deverão estar juntos nas eleições do próximo ano. Mas não diz muito mais que isso. As possibilidades são amplas.

O que parece claro é que Firmino não deseja esperar pelo que vai ser o PSDB nacional, cujo comando (e candidatura à presidência da República) é disputado por três: Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra. Isso se faz mais evidente ainda porque Lucy não seguirá desacompanhada: com ela, assinam ficha no grupo de Ciro o ex-prefeito Silvio Mendes e o secretário Washington Bonfim. Ou seja: a alma do firminismo muda de sigla.

Ao ficar livre das amarras tucanas, Firmino abre algumas possibilidades. A primeira é de estar em novo partido, em 2018, podendo inclusive ser candidato pela nova sigla. Vale lembrar, a mudança de partido poderá acontecer até o final de março do próximo ano, o que Firmino faria sem riscos de perder mandato, já que ocorreria no mesmo momento da desincompatibilização. E candidatura Firmino a um posto majoritário nas próximas eleições não pode ser descartada sem mais nem menos.

Outra possibilidade – não tão provável – é estar no palanque de Wellington Dias (PT), e juntamente com Ciro. Sem mudar de sigla, fica difícil tal opção, já que PT e PSDB estarão em lados opostos no cenário nacional, com verticalização de alianças restringindo alternativas. Sem a mudança de sigla, também estariam inviabilizadas (no palanque petista) candidaturas como as do próprio Silvio.

A alternativa da candidatura de Ciro Nogueira, apoiado por Firmino, tem grande potencial político, tantos são os aliados que o presidente do PP conseguiu agregar.  O que reduz essa possibilidade são dois fatores. Primeiro, a anunciada disposição do PP de seguir apoiando Wellington. “A prioridade, como a gente sempre disse, é o governador”, afirma o cirista-mor Júlio Arcoverde, para acrescentar: “Vamos estar junto com o governador para 2018”. A chave da frase é “prioridade”, que significa possibilidade, nunca certeza.

O segundo fator é a pouca vontade – pelo menos por enquanto – de Ciro em disputar o cargo de governador. Segundo repete aos amigos, prefere continuar senador.

Mas a política tem nos ensinado repetidas vezes que a afirmação de hoje pode ser muito distante da ação de amanhã. E que o “não” de agora pode muito bem se transformar, no futuro, em um rotundo “sim”.