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Futuro da Lava Jato passa também por eleição no Senado


Senador Edison Lobão pode ter papel especial na escolha de substituto de Teori Zavascki

 

A disputa pelo comando do Senado pode ter implicações no futuro da Lava Jato. Não exatamente a eleição do presidente da Casa, que deve resultar na escolha de Eunício Oliveira (PMDB-CE) como sucessor de Renan Calheiros (PMDB-AL). A disputa principal está na escolha do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

As articulações de Eunício para garantir sua eleição levaram a delicadas negociações com diversos partidos. Com o PSDB, por exemplo: além de postos na mesa diretoria do Senado, ficou definido que o senador tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE) ocupará a presidência da sempre influente Comissão de Assuntos Econômicos, que tem entre suas atribuições a autorização de empréstimos pelos entes federados. A indefinição quanto à CCJ está dentro do PMDB.

Conforme a divisão de bancadas, o PMDB deve ficar com a presidência da cobiçada Comissão. E aí começa uma guerra de bastidores.

Em qualquer casa parlamentar, a CCJ tem grande importância, porque quase nada anda sem seu aval prévio. Mas o ocupante da CCJ do Senado terá uma tarefa extra e importantíssima logo nos primeiros dias, porque passa por ela o trâmite de escolha do substituto de Teori Zavascki no Supremo. São os membros da Comissão que sabatinam os indicados para ministro da Corte.

Isto confere aos ocupantes da CCJ e particularmente ao presidente – que dá o ritmo e controla o rito da sabatina – um papel especial. E, claro, os senadores querem meter a colher nesse angu desde o começo. Ou, sabe-se lá, entornar o caldo.

Pelo menos quatro senadores desejam o posto, entre eles o maranhense Edson Lobão, que já foi citado em mais de uma delação da Lava Jato. O preferido de Eunício é Garibaldi Alves (RN), mas se ficar com Raimundo Lira (PB) estará satisfeito. Mas os atuais mandas-chuvas do Senado, o presidente da casa, Renan Calheiros, e Romero Jucá fazem apostas diferentes: querem Lobão ou, talvez, Marta Suplicy (SP).

Renan Calheiros, que não é de sutilezas, mexe os pauzinhos para emplacar Lobão. Mantém Marta como uma alternativa. Nessa empreitada, conta com a nada desprezível ajuda de Jucá, que tem forte liderança no Senado e trânsito livre no Planalto.

Renan não quer ser um mero expectador, após sair da presidência do Senado. Deverá passar ao posto de líder do PMDB, que é muito menos que presidente da Câmara Alta. Daí, ter na CCJ um aliado bem afinado não é pouca coisa, tanto agora na escolha do substituto de Zavascki como na sequencia do mandato. Sobretudo porque, na política, criar dificuldades (ou ao menos ter a possibilidade de criar dificuldades) é a melhor forma de colher facilidades.