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Eike: o ex-modelo admirado agora é o rejeitado alvo da Justiça

Luma de Oliveira, na Sapucaí, vestida de gata e com o nome do dono na coleira: um dos motivos para se admirar Eike

 

Quanta diferença. Há uma década, Eike Batista era festejado como o grande empresário nacional, e até colocado como uma das estrelas do capitalismo mundial. Hoje, o rapaz bem-nascido, educado na Europa e Ferrari na sala de estar cumpre um roteiro bem distinto das festas e bajulações de antes: desembarca no Galeão direto para os braços da Polícia Federal, implicado em um mundo de falcatruas, especialmente (mas não só) com o grupo de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro.

A trajetória de Eike Batista é um pouco a do capitalismo brasileiro, onde o risco é sempre matizado pela relação com o poder público. E essa relação tem uma outra faceta: a da corrupção, que ele soube alimentar e usufruir como poucos. Foi vestindo à medida esse figurino, que Eike se tornou o todo poderoso Senhor X, brilhando em áreas como petróleo e mineração, onde as cifras são sempre astronômicas.

Chegou a ter uma fortuna estimada em 28 bilhões de dólares. E amealhou a admiração de meio Brasil. Eike Batista tornou-se o espelho, o modelo, o ídolo de milhares de brasileiros, aqueles que já tinham algum dinheiro e os que não tinham dinheiro nenhum – apenas sonhos.

Não era para menos. Poxa! O cara tinha bilhões, tornou-se o homem mais rico do país, ganhou capa de revistas (as aliadas e as contra os governos). E, além de tudo, o cara tinha a Luma! Sim, a Luma de Oliveira – aquela mulher linda que desfilou suas curvas na Sapucaí, chamando atenção pela coleira de diamantes com o nome Eike em maiúsculo. Uma gata com dono, e (à época) orgulhosa de ser propriedade.

Dinheiro. Poder. Mulher bonita. Caricatura de homem de sucesso. Como não admirar?

Mas eis que o gigante se revelou com os pés de barro, parte culpa do próprio Eike, que exagerou nas estripulias negociais; parte dos novos tempos, onde a Operação Lava Jato tem um lugar de relevo. E o gigante, como o Reino de Nabucodonosor, viu os pés se desmontarem diante de um inimigo menor – como o juiz Sérgio Moro. E o Império X desmoronou.

Eike deixou de ser modelo. Continua rico, mas já não desperta inveja, muito menos o desejo de emulação. Para completar, há muito não tem mais a Luma, que trocou o milionário por um nada endinheirado oficial da Polícia Militar.

Sem poder. Sem aquela mulher-símbolo. Sem liberdade. Agora, como admirá-lo?