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Eleição de Maia tranquiliza Planalto e ajuda nas reformas

Rodrigo Maia: como presidente da Câmara, pode ajudar Planalto a realizar reformas da Previdência e Trabalhista

 

O presidente Michel Temer gosta de repetir que seu governo está em sintonia com o Congresso. As eleições dos presidentes da Câmara e do Senado parecem confirmar o princípio, sobretudo no sentido inverso: o Congresso está em sintonia com o governo Temer. Isso se releva especialmente na eleição do presidente da Câmara, onde nem mesmo a estratégia de multiplicar candidaturas contra Rodrigo Maia conseguiu viabilizar um segundo turno na disputa.

Eram cinco adversários enfrentando o preferido do Palácio do Planalto, sem que resultasse no efeito desejado. Maia teve 293 votos, quase três vezes o segundo colocado, Jovair Arantes (105 votos). O terceiro foi André Figueiredo (59 votos), seguido de Júlio Delgado (28), Luiza Erundina (10) e Jair Bolsonaro (4), além de 5 votos brancos.

O Governo Federal segue bem na sua base parlamentar, inclusive porque parte dos votantes contra Maia – especialmente os do Centrão, que em boa medida sufragaram Jovair Arantes – não são oposicionistas. Na verdade, Jovair e o Centrão queriam dizer mesmo que são mais governistas que Maia: mais fiéis, mais confiáveis e, portanto, mais merecedores da presidência da Casa.

Agora, a expectativa do Palácio do Planalto é que a reeleição de Maia e a ampla base parlamentar governista consigam facilitar a tramitação das propostas consideradas prioritárias: as reformas da previdência, a trabalhista e a fiscal. E tem ainda a reforma política, embora esta seja mais de interesse dos congressistas que do governo.

Em todos os três casos prioritários, a aprovação de mudanças significativas não será uma tarefa fácil, porque os temas são todos polêmicos, dividindo o país e – claro! – o Parlamento. E aí é que entra o papel de Maia. Como presidente da Câmara em um país sem vice-presidente, ele passa a ser o primeiro na linha sucessória. Mas será, acima de tudo, determinante na construção e condução da agenda parlamentar, importante na hora de votar esses temas tão polêmicos quanto imprescindíveis.

Nessa tarefa de concretizar as reformas, o governo espera contar com Rodrigo Maia, que tem dados sinais de ser a favor de boa parte do que o Planalto propõe. A tendência é que o novo presidente do Senado, Eunício Oliveira, siga a mesma linha – ainda que mais por conveniência que por convicção.