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Governo prepara rolo compressor na reforma da Previdência

Rodrigo Martins: deputado da base governista diz que vota contra reforma da Previdência, se texto não for alterado

 

Promete ser mais dramática do que o previsto a discussão da reforma da Previdência no Congresso Nacional. De um lado, o governo se arma para criar um verdadeiro rolo compressor, fazendo valer sua vontade e suas propostas. De outro, as reações às proposta apresentadas se revelam muito amplas, alcançando inclusive a base de sustentação do governo Temer.

A primeira face da moeda – o rolo compressor a favor da proposta enviada pelo Palácio do Planalto – fica evidente na escolha do presidente e do relator da comissão que vai tratar da reforma na Câmara. Carlos Marum (PMDB-MS), o presidente, é daqueles que não foge de uma briga. Por exemplo, comprou a briga contra a cassação de Eduardo Cunha e ficou nela até o último minuto. Na Comissão, vai comprar brigas terríveis – e o governo quer que se mantenha até o último segundo. O relator, Artur Oliveira Maia (PPS-BA), segue o mesmo perfil. E não está nem aí para polêmicas, que serão muitas.

As dificuldades que o governo terá ficam evidentes nas declarações do deputado Rodrigo Martins (PSB-PI) ao Acorda Piauí desta quinta-feira, na Rádio Cidade Verde. Rodrigo dá sustentação à gestão Temer. Mas reconhece que a escolha de Marum e Maia demonstra a vontade de governo de montar um esquema para "atropelar" propostas discordantes.

Rodrigo Martins deixa claro que esse rolo compressor, para ser efetivo, precisará mais que a escolha do comando da comissão. Porque a proposta de reforma, como está, não terá adesões fáceis. O deputado piauiense adiantou ao Acorda Piauí que, se o texto não mudar, votará contra a iniciativa do Palácio do Planalto.

O governo esperava muitas reações das ruas. Mas talvez não esperasse reações tão fortes e já tão cedo, no lado governista. Os argumentos de Rodrigo são os mesmos de uma boa fatia dos deputados: as regras da proposta são muito duras, especialmente quanto à possibilidade de aposentadoria com benefício pleno, que exige quase 50 anos de contribuição.

Quer dizer: para ver aprovada a proposta de reforma da Previdência, o governo Temer terá que se preocupar não apenas com a oposição. Mas, e talvez sobretudo, com os aliados que – pela primeira em matéria importante para o Planalto – podem romper a até agora tão decantada fidelidade ao Planalto.