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Wellington diz que não muda saúde e periga acordo com PP


Júlio Arcoverde, Ciro Nogueira (PP) e Wellington Dias (PT): aliança em perigo?

 

Parecia tudo acertado, estilo “prego batido ponta virada” e motivo para soltar rojões. O governador Wellington Dias sorria com o vento, após fechar acordo que assegurava a ampliação de sua base politica às custas de uma reforma no secretariado que sacrificava especialmente o PT. Após o acordo, o PP passaria a ocupar a secretaria de Saúde, o PTC ganharia o PCPR e o PMDB assumiria de vez a condição de governista, ocupando SASC, Secretaria de Transportes e o programa de Crédito Fundiário.

Mas o céu de brigadeiro que durou até a sexta-feira, transformou-se neste início de semana em um temporal, uma verdadeira tempestade com direito a fortes trovoadas. E agora Wellington terá que mostrar sua decantada habilidade para não ver aliados de agora se transformarem em adversários de amanhã.

A dúvida sobre o acordo já era o tema do final de semana. O PMDB fazia mais exigências (incluindo o PCPR e a Fundação que seria criada para cuidar dos hospitais). O PT estribuchava, recusando-se a aceitar a perda de espaços. O burburinho da dúvida tomou corpo e a reforma "quase certa" ficou "quase descartada". A mudança de rumo ganhou, ontem, uma "quase confirmação" nas palavras do próprio governador. Em Uruçuí, ele disse que não está falando em reforma do secretariado, e que Francisco Costa vai seguir onde está – a mesma secretaria de Saúde prometida ao PP.

O mundo político está perplexo com a reviravolta.

Para a imprensa, o silêncio foi a resposta formal mais comum, por todas as partes envolvidas, sobretudo PP, PMDB e PTC. Mas as reuniões se multiplicaram ontem desde o meio-dia. Nas palavras de um deputado governista, o acordo virou “uma grande bagunça”.

Já se fala na possibilidade de rompimento político, ainda que haja muitas dúvidas sobre a vontade real de qualquer grupo em deixar o governo. Mas, cabe lembrar: o PP, o mais incomodado com a reviravolta, já abandonou um governo por muito menos. Foi no período Wilson Martins, quando Ciro Nogueira entregou a Agespisa, chamou seus aliados e foi para a oposição. O PTC foi oposição até outro dia, e pode voltar a sê-lo. E o PMDB pode seguir como antes: no governo, sem ser oficialmente governo.

De qualquer forma, todos orecolheram suas cartas e esperam os próximos passos dentro do Karnak. Wellington quer PP, PMDB e PTC formalmente no governo. E esses partidos querem mais postos na administração estadual. O problema está mesmo é no PT, que jogou galões de água fria na fogueira do acordo.

O nome central do desmantelo é o deputado Assis Carvalho, embora conte com o apoio de muitos outros dentro do PT. Assis não aceita perder a secretaria de Saúde, comandada pelo seu aliado Francisco Costa. Para mudar de ideia, terá que ter uma excelente compensação, que não se vislumbra qual poderia ser.

Domar Assis é uma tarefa para Wellington. Como o governador costuma dar nó em pingo d’água, pode ser que consiga segurar o deputado petista e, ao mesmo tempo, tornar a encantar os que tinham sido agraciados pelo acordo agora quase desfeito.