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Qual o tamanho de Bolsonaro? Convém não menosprezá-lo


Bolsonaro: a direita hard ocupa espaço e as pesquisas já mostram resposta popular

 

Após a eleição para a presidência da Câmara, dia 2 de fevereiro, alguns se apressaram em exibir o resultado obtido por cada candidato para mostrar a força desta ou daquela corrente política. Mostrou-se o enfraquecimento do Centrão. Mas os dedos apontavam especialmente para a votação de Jair Bolsonaro (PSC-RJ): apenas 4 votos, o que o colocou em quinto lugar. Os votos brancos somaram mais: 5. Seria, no dizer desses tantos, um sinal de que Bolsonaro não significava uma alternativa real para a disputa presidencial de 2018.

O raciocínio leva em conta uma velha máxima, segundo a qual as candidaturas são o resultado da soma política. Isto é: quem tem mais apoio político (de partidos, de grandes lideranças ou de segmentos organizados) tende a se sair melhor. Daí, Bolsonaro – sem apoio ressonante – estaria condenado a ser um mero figurante em 2018.

A história (especialmente a história mais recente) mostra que esse raciocínio pode ser a regra, mas as exceções estão aí. E não são tão exceções assim!

Tal raciocínio amparou as primeiras análises sobre a pretensão presidencial de Fernando Collor, no começo das articulações para a eleição de 1989. Os que desdenharam do Sr. das Alagoas tiveram que engolir o resultado que levou Collor ao Planalto. Agora, Trump repete a dose, e de forma muito mais acachapante, porque eleito presidente dos Estados Unidos inclusive contra a vontade do seu próprio partido.

Nessa era de redes sociais e de "pós-verdade", as instituições tradicionais podem não ser tão determinantes quanto antes. E Bolsonaro aposta nisso, dialogando primeiramente com uma cidadania que se sente órfão em vários aspectos: na falta de emprego, no precário acesso aos serviços públicos essenciais, na declinante legitimidade pública da representação política, na dimensão escandalosa da corrupção e na enorme desesperança em relação à segurança pública.

A cidadania cobra resultados elementares. E eles não têm aparecido – ou pelos menos assim sente grande parte do país.

Bolsonaro tem se apresentado como uma mudança de rumo, além de defender a mão forte (eu diria, autoritária) para enfrentar desafios como a corrupção e a violência. E tem encontrado ouvidos dispostos a escutá-lo. As pesquisas começam a mostrar: ele já é o segundo na pesquisa espontânea para a presidência (ver post anterior).

 

Os candidatos fora da curva

Cabe ressaltar, a máxima de antes – sem apoio político, sem êxito – perdeu muito de seu sentido. Movimentos como Podemos, na Espanha, ou 5 Estrelas, na Itália, além do próprio Trump, mostram que pode-se ter êxito sem o apoio institucional. Pode-se sair vitorioso fora do sistemão, do establishment. O diálogo direto com uma cidadania desencantada pode ser mais efetivo que um mundo de apoios de lideranças tidas como poderosas (veja-se o caso Trump).

Bolsonaro aposta nisso e também num outro fator: as grandes instituições políticas brasileiras fazem qualquer coisa para não se desapegarem dos governos. E costumam se aproximar dos potenciais vitoriosos. Foi assim com Collor: no início desdenhado por meio mundo, na hora da campanha foi bendito pelos grandes empresários, que injetaram mundos de dinheiro em sua campanha e o ajudaram a chegar ao Planalto.