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Teresina precisa de R$ 2 bi para obras contra alagamentos


BR 343, após chuvas em Teresina: alagamento que tende a se repetir no futuro (foto: Wilson Filho)
 

Os constantes alagamentos em Teresina, após chuvas de médio e grande porte, não deverão parar no curto prazo. O problema é que faltam intervenções fundamentais, especialmente a construção de galerias adequadas às necessidades. Mas a cidade não tem dinheiro.

Segundo cálculos do secretário de Desenvolvimento Urbano do Município, Marco Antonio Ayres, para implantar as obras fundamentais para solução do problema, seria necessário algo em torno de R$ 2 bilhões. Um dinheiro que, ele reconhece, a prefeitura não tem.

Para se ter uma ideia do tamanho da dificuldade, esse dinheiro corresponde a dois terços do orçamento da Prefeitura de Teresina para o ano de 2017. Assim, para que as obras sejam implementadas, a PMT precisaria contar com aporte especial do Governo Federal ou recorrer a empréstimos junto a instituições como o Banco Mundial – que financiou a concretização do projeto Lagoas do Norte.

Na realidade de hoje, os problemas de drenagem se multiplicam pela cidade. Marco Antônio Ayres explica que Teresina conta com oito bacias de drenagem. Mas o fluxo natural das águas não acontece por diversos fatores, começando pelos desmatamentos – sobretudo para dar lugar a grandes empreendimentos habitacionais, seja os conjuntos populares como no Torquato Neto, na Zona Sul, ou os condomínios de Luxo na Zona Leste, no entorno da BR 343 ou na PI 112 (sentido de União).

A lista da Secretaria de Desenvolvimento Urbano vai além. Dentro das oito bacias que cobrem a cidade de Teresina, são problemas recorrentes os alagamentos na  Senador Area Leão, nas proximidades da Homero; no Dirceu (área da Manoel Evangelista); e na Satélite, além do Torquato Neto e BR 343.

Os problemas se agravam com a estrutura instalada para o escoamento da água. Na prática, as tubulações desses empreendimentos são muito aquém da necessária para o escoamento das águas. E o secretário admite que, em alguns casos, a pouca capacidade de escoamento transforma em represa o que deveria ser um canal de drenagem.

Perguntado no Acorda Piauí, da rádio Cidade Verde, qual a saída para a população no curto prazo, Marco Antônio Ayres apenas aconselhou os teresinenses a ficarem em casa na hora de grandes chuvas. Ou seja: não há muito o que fazer, agora.

Tampouco haverá muito o que fazer nos próximos anos, já que esse tipo de obra não é rápida, nem mesmo quando se tem o dinheiro para realizá-la. Ainda mais no caso de Teresina, que não tem R$ 2 bilhões à mão. Muito longe disso.