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SUS precisa ser repensado para melhorar saúde, diz diretor do HUT


Gilberto Albuquerque, diretor do HUT, quer redefinição do SUS

 

No setor de Saúde brasileiro, o Sistema Único de Saúde (SUS) é considerado fundamental para atenção ao cidadão em geral, especialmente o mais carente. Mas o formato parece exigir urgentes mudanças. “O sistema precisa ser repensado”, diz o diretor do Hospital de Urgência de Teresina, Gilberto Albuquerque. A razão? Óbvia: há um complexo descompasso entre a realidade dos hospitais e as práticas do SUS.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje pela manhã, na rádio Cidade Verde, Gilberto apresentou os dados do próprio HUT: os repasses do SUS cobrem menos de 16% dos gastos do hospital municipal de urgência. Traduzindo em números: das despesas mensais do HUT, que somam em média R$ 16,5 milhões, o SUS responde por apenas R$ 2,5 milhões. Outro R$ 1 milhão é coberto pelo Estado, com a alocação de pessoal. O restante sai dos cofres municipais.

“O SUS deveria cobrir 100% dos custos”, diz Gilberto, lembrando que alguém tem que pagar o resto da conta – e é basicamente o Município. Para o diretor do HUT, esse descompasso afeta a qualidade. “Não tem como manter um atendimento ótimo se o SUS não cobre nem mesmo um quinto dos custos dos atendimentos”, ressalta.

Por isso o médico acha que o sistema precisa ser repensado para melhorar o atendimento da saúde. Uma das razões desse descompasso é a tabela de valores dos procedimentos médicos. Esses valores estão congelados há 19 anos. A defasagem gera uma relação complementa artificial, com valores que estão muito, muito distante da realidade de mercado.
 

Menos pacientes, mais qualidade

O HUT comemorou neste carnaval a redução no número de pacientes atendidos: 36% menos que no carnaval do ano passado. Na prática, o sistema público de saúde no Piauí passou a concretizar uma receita antiga, sempre reclamada: agora, está acontecendo a triagem e só chegam ao HUT os pacientes que realmente devem ir para lá.

A mudança está em sintonia com os hospitais estaduais e outras unidades municipais. E, pela mudança, o HUT não recebe mais nenhum paciente diretamente. Agora, o cidadão que necessita de atendimento hospitalar precisa antes passar em uma outra unidade de saúde de menor complexidade. Só se essa unidade não tiver condições de atender o paciente é que ele será encaminhado ao hospital de urgência.

No fim das contas, está-se reinventando a roda. Sim, porque essa fórmula (com a triagem funcionando) era há muito apresentada como a solução. Por fim ela prevalece e mostra que gera resultados.