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Disputa interna no PMDB pode complicar reformas no Congresso


Renan Calheiros e Michel Temer: divergências no PMDB podem afetar reformas do governo

 

A tramitação já complicada das reformas pretendidas pelo Governo – da Previdência, Fiscal, Trabalhista e Política – podem ficar ainda mais complicadas e ampliar a instabilidade política. Tudo por conta das disputas internas dentro do PMDB, onde a voz dissonante mais notada nesses últimos dias foi a do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Para piorar, a disputa política pode gerar mais instabilidade na economia.

A gritaria de Renan tem duas razões principais. Primeiro, o crescimento do PSDB na estrutura de mando do governo Temer. Segundo, a maior relevância daquela fatia do PMDB identificada com o chamado “baixo clero”, a Câmara e o ex-deputado Eduardo cunha. Hoje esse grupo é personificado no deputado Carlos Marum, que está na estratégica posição de presidente da comissão da reforma da Previdência.

Renan apressou-se em atacar o grupo peemedebista identificado com Eduardo Cunha, mostrando preocupação com o protagonismo desse grupo assentado sobretudo na Câmara – e aí Renan estaria defendendo o PMDB do Senado. Nessa defesa, Renan quer ter peso nas decisões do governo, e está de olho no lugar de Elizeu Padilha, o ministro-chefe da Casa Civil.

Padilha está licenciado por questão de saúde, mas – em razão das delações da Lava Jato – crescem as chances do ministro não permanecer na pasta. E o ex-presidente do Senado não quer dar bolas para o azar: já levanta a voz e deixa claro que, se o PMDB do Senado – leia-se, o próprio Renan – não for ouvido (e agraciado), o caldo pode engrossar.

Já o baixo clero identificado com Cunha e Marum quer permanecer com espaços importantes no governo. E quer mais: está de olho na divisão do Fundo Partidário. É uma grana preta, que é controlado pela cúpula do partido, onde esse baixo clero não tem posição de destaque, bem ao contrário da turma de Renan, Romero Jucá e Eunício Oliveira.

As eleições passadas já mostraram o quanto os candidatos vão sofrer com as doações, sem a participação (oficial) das empresas. E esses peemedebistas menos expressivos, com menor poder de fogo, querem garantir desde já as condições para as campanhas de reeleição em 2018.

O problema é que toda essa disputa traz uma instabilidade política no centro do principal partido de sustentação do governo Temer. Tanto que o próprio Temer teve uma conversa de uma hora e meia com Renan, ontem à noite. Certamente, não foi uma conversa sem arestas.

A instabilidade política no seio do PMDB pode, sim, implicar em instabilidade política em um governo que vê crescer o fogo amigo, como bem mostram as críticas de muitos governistas à proposta governamental da de reforma da Previdência.

Se as divergências internas crescem, as críticas devem se ampliar, alcançando as outras reformas. E isso pode trazer muitos problemas para o futuro de todas as reformas pretendidas. E, de quebra, pode salpicar a situação econômica que ainda exige tantos cuidados.