Cidadeverde.com

Escândalo da Lava-Jato muda imagem do Brasil no exterior. E pra melhor

Alejandro Salga, da Transparência Internacional: "Caso Odebrecht" ajuda a gerar nova realidade na América Latina

 

Nos últimos meses, alguns setores do país (especialmente no mundo político) vem aumentando o tom das críticas à Operação Lava-Jato. O principal argumento é que a Lava-Jato está acabando com as empresas, além de destroçar de uma vez por todas a imagem internacional do Brasil. Há novidade. E apontam em sentido inverso.

A Transparência Internacional, a instituição que mais incomoda os homens públicos por evidenciar as práticas corruptas ao redor do mundo, avalia que a América Latina está ganhando com as investigações no Brasil e outros países do continente. Alejandro Salga, diretor da Transparência Internacional, acha que o “Caso Odebrecht” é emblemático porque “acaba com a idéia de que há pessoas intocáveis na América Latina”.

Traduzindo: a Lava-Jato está criando a oportunidade para o Brasil deixar no passado, e de uma vez por todas, a imagem de República de Bananas.

O processo ainda é longo porque, como ressalta o próprio Salga, o combate à corrupção na região avança em ritmos distintos. Ele avalia que um dos fatores determinantes é o fortalecimento das instituições. No Brasil, as instituições são mal avaliadas pelo povo. E não é por acaso.

“Aqui a debilidade institucional é tremenda. Mas ao mesmo tempo, no mesmo país, a Polícia Federal, as promotorias e alguns juízes, como Sérgio Moro, demonstram que apesar desse desgaste também existem instituições com um comportamento de primeiro nível e uma solidez de certa forma invejável em outros países” – disse o representante da Transparência Internacional, em entrevista ao espanhol El País.

Mas ainda há muito o que fazer, especialmente no campo político, onde muitos de seus integrantes seguem com uma agenda muito particular, como se houvesse um universo paralelo. Uma bolha que corre o risco de explodir.

Sobre o futuro na América Latina, no rastro da operação que criou o “Caso Odebrecht”, Alejandro Salga mostra muita confiança. Sobretudo na colaboração entre os ministérios públicos dos diversos países.

“Dentro da desgraça que é dar-se conta da extensão do problema, creio que vai deixar coisas muito importantes. Vai permanecer a colaboração entre as Procuradorias-Gerais dos diferentes países. Outra coisa importante é que na América Latina, onde existe a ideia de que há pessoas intocáveis, agora estamos diante do ‘quem cair, caiu’. Ninguém teria imaginado Marcelo Odebrecht na prisão, um empresário poderosíssimo, ou políticos de primeiro escalão” – observa Salga.

A fala de Alejandro Salga é um argumento e tanto contra os ataques à Operação Lava-Jato e ao "Casdo Odebrecht". E reforça a ideia de que o Brasil precisa aproveitar essa oportunidade, tanto para ficar com uma melhor imagem lá fora quanto (e principalmente) para construir práticas mais saudáveis internamente.