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Reitor da UFPI teme que crise leve à cobrança de taxas em universidades


Arimateia Dantas, reitor da UFPI: crise das universidades federais será mais grave em 2017

 

O reitor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), professor Arimateia Dantas, manifestou o temor de que a crise econômica possa levar à cobrança de taxas nas universidades públicas federais. “Espero que isso não aconteça”, disse ele em entrevista ao Acorda Piauí desta terça-feira, na Rádio Cidade Verde, reconhendo a gravidade da situação das universidades públicas brasileiras.

O reitor disse que 2016 foi um ano difícil, mas a UFPI conseguiu terminar com as contas em ordem. Avalia, no entanto, que 2017 será mais difícil, especialmente pela redução orçamentária. O professor Arimateia observa que, pela primeira vez na história, a UFPI teve um orçamento nominal menor que o do ano anterior. Em termos reais, esse valor fica ainda menor por conta da inflação.

Para enfrentar essa situação, o reitor disse que a UFPI está adotando uma série de medidas para conter gastos, além de priorizar despesas como as bolsas estudantis e o funcionamento do Restaurante Universitário. Tal quadro se agrava ainda mais diante da limitação do MEC na liberação dos recursos ordinários: neste início de ano tem sido repassado apenas dois terços do previsto para custeio – isto é, gastos para manutenção do funcionamento regular da universidade.

Arimateia diz ainda que os repasses do primeiro trimestre em geral são comprometidos pela baixa arrecadação da União no período. E espera ver recuperado o fluxo orçamentário – como em 2016, quando a situação foi particularmente grave até maio.

Esse quadro de crise faz surgir o temor de cobrança de taxas pelas universidades públicas. Vale lembrar, a situação da UFPI está longe de ser a mais grave entre as universidades públicas federais. Instituições como a UFRJ apresentam quadro quase de falência, com atrasos nos pagamentos até mesmo de água e energia. Arimateia diz que a Federal do, Piauí está buscando novas fontes – especialmente para custear pesquisas –, tanto em outros ministérios além do MEC, bem como na relação com a iniciativa privada. Mas reconhece que, apesar de avanços conseguidos, a participação dainiciativa privada nos projetos da universidade ainda é bem pequena.

 

Programa vai valorizar Índice de Sucesso

A UFPI está desenvolvendo programa que busca maior eficiência. Isso inclui a melhor distribuição de recursos, hoje muito centralizados na Administração Superior – isto é, na Reitoria. Mas essa distribuição vai implicar na adoção de critérios que estimule melhor desempenho das unidades que integram a Universidade.

Entre os critérios está o chamado Índice de Sucesso, que analisa a relação entre o número de alunos que ingressam e os que se formam em cada curso. A média na UFPI é de 60%, mas há muitos cursos que têm média muito baixa, formando apenas um terço dos que ingressaram.