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Jair Bolsonaro vem a Teresina, mas quer evento suprapartidário


Jair Bolsonaro: pregação suprapartidária e preocupação em inspirar menos temor

 

Desembarca em Teresina na primeira semana de abril o deputado Jair Bolsonaro (PSC), que desde já se coloca como potencial candidato à presidência da República nas eleições de 2018. Bolsonaro vem fazer o que todos os outros pré-candidatos fazem: oferecer seu discurso como uma alternativa à sucessão de Michel Temer. Mas o representante da direita quer mais: deseja apresentar-se no Piauí a partir de um feitio suprapartidário que não inspire medo.

Com essa preocupação, Bolsonaro deverá ter em Teresina dois eventos principais. Um, de caráter popular, aberto a quem bem deseje festejá-lo, mas focando de modo especial no segmento jovem – que é parte importante da massa de eleitores que o festeja no presente. Outro, um encontro com formadores de opinião, com atenção mais detida nos empresários.

Bolsonaro sabe que tem um forte apelo popular, apresentando-se como alguém que rompe com “o que está aí” e oferecendo uma postura firme – uma “mão forte”, na linguagem popular. Mas também sabe que essas mesmas características que o colocam na corrida presidencial também levantam barreiras que criam dificuldades para o sucesso da empreitada.

O deputado do PSC não se esquiva do rótulo de direita, embora procure ser visto como centro-direita. Depois de tantos problemas após um ciclo de esquerda, esse rótulo torna-se um contraponto, um diferencial. Mas as propostas que abraça são ou desconhecidas ou polêmicas.

Exatamente por isso deseja estar próximo de formadores de opinião. Quer suprimir sombras da imagem que carrega, associando-o ao autoritarismo e até mesmo à defesa da tortura. Porque se tais ideias ganham resposta num segmento mais popular, encontra forte ressalva (ou franca rejeição) em setores mais críticos.

Entre os empresários, Bolsonaro quer apresentar um esboço do que poderia fazer pela economia – que uniria uma visão liberal mas sem deixar de lado o Estado forte e estimulador da economia. Mas não será muito mais que isso: um esboço – pois o deputado, antes que fazer entender suas propostas, pretende reduzir o medo que inspira em segmentos importantes.

A ideia de fazer um evento suprapartidário tem várias razões de ser. A primeira, o reconhecimento de que tem como suporte uma sigla de pequeno porte. Segundo, que deseja abraçar o papel de antipolítico – ou de político diferente – e carregar o carimbo partidário não ajuda tanto. Terceiro, que deseja atrair apoios de todos os lados. É aí onde se justificam os eventos para o segmento popular e para formadores de opinião.

Se sair de Teresina com maior visibilidade e inspirando menos temor, sairá feliz. Muito feliz.