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Muda regra do cartão. E isso afeta metade dos piauienses


Cartão de crédito: uso do crédito rotativo fica limitado a partir da próxima semana

 

A partir da próxima semana, muda a regra para quem tem dívida com cartão de crédito. E isso afeta nada menos que metade dos piauienses. Conforme decisão do Banco Central, anunciada em dezembro e formalizada há duas semanas, a partir de abril o crédito rotativo só pode ser utilizado por 30 dias.

O crédito rotativo é aquele recurso de rolar a dívida quase automaticamente. A história do pagar só o mínimo (10%) e deixar o resto para o mês seguinte. Ocorre que esse sistema estava gerando uma enorme bola de neve, dívida sobre dívida, levando o cidadão a somar dívidas literalmente explosivas, e em pouco tempo. Uma situação que sufocava o cidadão e o país.

No caso do Piauí, pesquisa revela que metade dos usuários de cartão de crédito têm dívidas. Sendo mais preciso: 55% dos piauienses tem algum tipo de dívida com o cartão, segundo revela pesquisa da Confederação Nacional do Comércio. Vale uma diferença: não é inadimplência, que não chega a 8%. É dívida, conta a pagar. E agora não se pode mais fazer de conta que paga, com a interminável história do "valor mínimo".

Essas pessoas com dívidas feitas com através do cartão tinham, até agora, a possibilidade de “empurrar com a barriga”, um recurso meio de desespero, já que isso de pagar somente o “valor mínimo” do cartão é uma grande roubada. Sim, porque as taxas de juros são indecentes.

O juro do crédito rotativo era o mais fácil (bastava pagar 10% e deixar o resto da dívida para o mês seguinte), mas também o mais caro. De longe o mais caro. A taxa média do rotativo do cartão praticado em janeiro deste ano, por exemplo, foi de 486,75% ao ano. Isso levava a uma taxa de 15,89% ao mês. É a maior taxa de juro do mundo. E uma faca que o próprio endividado colocava no pescoço.

Ao usar o crédito rotativo, o dono do cartão não reduz a dívida. Na verdade, acumula, porque a taxa mensal é maior que o valor mínimo. Paga 10%; e soma dívida de quase 16%, para ficar na referência à taxa de janeiro. Assim, quem contava com uma dívida de R$ 100,00 e tinha a “brilhante ideia” de pagar só o mínimo permitido, ao final de um ano passava a ter uma dívida de R$ 586,75. Isso mesmo: pagava doze vezes o "valor mínimo" e ainda herdava uma dívida quase seis vezes maior que a original.

Essa farra acaba a partir da próxima semana, quando essa rolagem automática só vai poder ser feita uma vez. É uma medida que chateia alguns por tirar possibilidade de crédito fácil. Mas é importante para conter a farra dos juros e colocar o endividamento dos brasileiros num nível mais razoável.