Cidadeverde.com

Michel Temer sofre com falta de perspectiva política

Michel Temer e Renan Calheiros: aliados separados pelos problemas de perspectivas que alcançam os dois

 

A semana chega ao fim e o presidente Michel Temer tem foi feitos principais a contabilizar. Um, para comemorar; outro, para se preocupar.

A comemoração é o retardamento no processo de cassação da chapa Dilma-Temer, o que quase assegura a conclusão do seu mandato. A preocupação é a repentina oposicionite do senador Renan Calheiros, um sujeito que fez a vida política escorado no Poder e nas benesses que uma máquina pública pode gerar.

Se o processo no TSE ganhasse celeridade, seria uma espécie de réquiem antecipado do governo Temer. Com a postergação, o governo ganha horizonte. Mas essa comemoração não é para tanto, porque outros fatores comprometem a avaliação do governo federal e aproxima Temer da desaprovação recorde de Dilma.

Temer é o pai inquestionável da reforma da Previdência, que a maior parte da população rejeita com toda a alma. Também vai se tornando pai de uma crise econômica que herdou. Para completar, é carente de carisma, o que compromete a possibilidade de recuperação popular. Daí, falta-lhe perspectivas, inclusive como suporte político de terceiros.

Em sendo assim, os Renan da vida se arvoram de oposição, olhando não para a Nação mas para o umbigo. Joga para a platéia, desmarcar-se de um governo impopular. Logo Renan, que nunca se preocupou em abraçar temas controversos, distantes da acolhida da opinião pública. O problema é que a corda está também em seu pescoço.

Renan nunca se preocupou com a opinião pública porque sempre trabalhou com lideranças, os coronéis do sertão que lhe garantiam a renovação de mandato popular. Ocorre que a rejeição a seu nome cresce até mesmo nos grotões de Alagoas, e também traga a popularidade de Ranan Filho, que é governador do Estado. Ou seja: o clã Renan vê o risco de ser tragado pelas urnas em dose dupla.

O que fazer? Ora, malhar o Judas da hora. E esse Judas chama-se Michel Temer.

Ficou fácil bater em Temer. E Renan assume esse papel que lhe é tão estranho, o de oposição. Quer ficar bem na fita, seja conseguindo uma resposta pouco provável resposta popular positiva, seja ainda vendo Temer ceder e derramando recursos nos cofres de Ranan Filho.

Renan corre o Risco de não conseguir nem uma coisa nem outra.

Michel Temer já abriu novos canais de comunicação com o PMDB, tirando o senador – que é líder do partido no Senado – da condição de interlocutor preferencial com o Planalto. É uma tentativa de manter o núcleo de apoio no Congresso, que tem generosos espaços no governo.

Por enquanto vai conseguindo navegar nesse mar revolto.
 

Após metade do mandato, governante perde encanto

A lógica da relação dos governos com as lideranças é perversa. E passa diretamente por uma noção de dependência. Quando eu preciso de você, sou todo gentileza; quando você é que precisa de mim, aí eu endureço o pescoço.

Nos estados, por exemplo, na primeira metade de um mandato, o governador é rei: dita e desdita, senhor de uma caneta cheia. A própria perspectiva de eleição municipal ainda nesta metade dá força ao governador, já que as lideranças locais tentam se reforçar às custas do governante.

Na segunda metade, a coisa muda. Aí é o governante – pensando na reeleição ou numa vaga de senador – quem passa a depender das lideranças. E o cabo da faca muda de dono.

O presidente Michel Temer só não sofre mais no fio da navalha dos políticos porque já deixou claro que não tem pretensões eleitorais. Se tivesse tal intenção, a conta seria mais salgada ainda.