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Participação interna no PT despenca e preocupa Diretório Nacional


Rui Falcão: sairá da presidência do PT entregando um partido menor do que recebeu

 

A apatia de importantes segmentos da população em relação ao PT começa a chegar dentro de casa, entre a militância. E isso preocupa o Diretório Nacional do partido. O sinal de alerta definitivo surgiu ontem, na etapa municipal de escolha dos novos dirigentes da sigla: o número de votantes em todo o Brasil foi menos da metade que a consulta de 2013.

Segundo dados preliminares contabilizados ainda ontem à noite pela direção do partido, cerca de 200 mil petistas foram às urnas para a escolha de seus dirigentes. Esse número é menos da metade dos 420 mil de 2013 – um ano que deve ser olhado com atenção porque é o ano anterior ao início da Operação Lava Jato.

Verificou-se um claro desgaste do Partido, no embalo dos escândalos que levaram às grades um número importante de destacados petistas. Mas esse é só um dos problemas. Porque os escândalos geram desgastes especialmente fora, mas há outros fatores que geram o desencanto dentro do partido.

O PT tem discurso a apresentar em sua defesa como partido de exercício do poder, sobretudo avanços em áreas sociais. Mas tem muito o que explicar, inclusive nas ações em torno dessas conquistas – como, por exemplo, a política econômica que gerou mais de 12 milhões de desempregados. Eis outro ponto de desgaste.

Internamente, admite-se que o partido se equivocou seriamente ao negligenciar na relação com a sociedade, com os movimentos sociais, privilegiando a ocupação dos postos de máquina, os cargos públicos. Hoje o PT sente falta dessa relação, que foi a base de seu crescimento. E tenta se recuperar, resgatando posturas históricas.

Este será o grande desafio do substituto de Rui Falcão na presidência nacional do PT. Falcão entregará ao sucessor um PT menor do que recebeu. Por isso mesmo, a perspectiva é que o novo presidente seja alguém com DNA petista não apenas para dentro da sigla, como o presidente prestes a encerrar mandato. Que seja também um PT reconhecido pelos petistas Brasil afora, e também por eleitores que apenas tenham simpatia pelo partido.

O que os números de participação deixam claro é que o partido tem que se reinventar. E olhar para fora dos seus limites será uma das estratégias com vistas as eleições de 2018. Foi assim que aconteceu após o Congresso de 1995, aquele que levou o pragmatismo para dentro do partido e o PT ao poder.