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Brasília fica em sobressalto com lista de Fachin, a lista do desassossego


Congresso Nacional: sobressalto e desassossego com a lista de Edson Fachin

 

Causou um mal disfarçado rebuliço, em Brasília, a divulgação, ontem à tarde, do que já está sendo chamada de “a lista do ministro Edson Fachin”, o relator da Lava Jato para os casos com foro especial, no Supremo Tribunal Federal. É uma lista robusta, com 75 nomes do alto escalão da política, incluindo boa parte das estrelas do governo e da oposição. E deixa Brasília em sobressalto, com possíveis efeitos sobre a economia, a política e o futuro das reformas em discussão no Congresso.

Pra dizer o mínimo: a lista deixa o mundo político de cabeça pra baixo, de cabelo em pé, com as barbas de molho. É a lista do desassossego.

A lista do desassossego envolve mais de um terço do Senado e perto de 10% da Câmara. São 24 senadores e 39 deputados investigados. Some-se aí oito ministros do governo Temer e ainda três governadores. É muita gente graúda. E ninguém sequer pode cantar de galo, por que a lista desmoraliza mais ainda a classe política brasileira como um todo – à direita e à esquerda; no norte e no sul; do partido A ao Z; no governo e na oposição.

A reação foi de uma desconcertante tranquilidade, disfarçando o rebuliço real. De certa fora, todo mundo já esperava por essa lista. Daí, todo mundo já tinha se preparado para o momento crítico, com explicações protocolares que desqualificam as delações dos executivos da Odebrecht.

A maior parte acusou os “vazamentos seletivos”, sem maiores questionamentos sobre o conteúdo. Outros pediram que seja quebrado o sigilo das delações. Taí um desejo que será atendido: o ministro Fachin vai quebrar o sigilo, e aí ninguém mais vai se esconder no ataque ao “vazamento seletivo” porque tudo vai estar às claras.

Na tentativa de demonstrar tranquilidade, o presidente do Senado, o denunciado Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que a pauta do Congresso não muda. A palavra que usou e repetiu é “normalidade”. Tudo, menos isso. E, em consequência, a pauta muda.

Com, o novo clima, e diante de tanta gente com a espada da Justiça pendendo sobre a cabeça, as reformas em pauta podem esperar. Fica em xeque o futuro da reforma da Previdência, assim como a reforma trabalhista. O que pode mudar mesmo é o ritmo (e o conteúdo) da reforma política.  Desse mato pode sair coelho, na forma de maquinações que protejam o mundo político agora em sobressalto.

 

Sistema Político está condenado

Com tantas estrelas da política envolvidas em denúncias tão graves, uma conclusão é óbvia: o sistema político está condenado. Se não for essa a conclusão, como explicar que tantos políticos estejam envolvidos no mesmo tipo de esquema? Como explicar que partidos tão distintos recorram a esse expediente nada republicano?

Daí, volta a discussão sobre uma reforma política profunda. Mas cabe a pergunta: quem fará essa reforma? Exatamente esses políticos envolvidos nesses expedientes? Terão legitimidade? Mais: terão interesse em fazer uma mudança real?

Nisso tudo fica outro questionamento: o país ainda aguenta a manutenção desse sistema por muito mais tempo?