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O preço da corrupção: Rio viverá uma década de crise


Sérgio Cabral e Eduardo Paes: carnaval com o dinheiro do contribuinte produz crise de décadas

 

Não é uma crise qualquer. É uma crise que vai durar muito – talvez ainda mais de dez anos, segundo avaliam especialistas. E essa crise traga o horizonte de um dos estados icônicos do país: o Rio de Janeiro. Mas a crise fluminense não é isolada. Ela traduz um quadro de irresponsabilidade geral e corrupção sistêmica na gestão pública brasileira. E como ícone, o Rio de Janeiro pode ter na sua crise uma lição para o Brasil. Várias lições.

A primeira lição é para a cidadania. O brasileiro deve deixar de lado a visão segundo a qual roubar a coisa pública “é normal”, ou que “faz parte do jogo”. E também deve entender que não fica bem entregar o comando da coisa pública a qualquer um. É fundamental compromisso. Capacidade. Responsabilidade. Seriedade.

As lições para os gestores são muitas. Talvez a mais importante venha não da crise do Rio, mas da apuração dos escândalos recentes do Brasil. Ou seja: ser esperto, roubar, apropriar-se do que é do cidadão (agora!) dá cadeia.

Há apenas dez anos, o Rio de Janeiro era olhado como o estado que surfava na crista da onda. Petróleo. Grandes eventos mundiais (Copa e Olimpíada). Grandes obras. E lideranças políticas em ascensão (Cabral, Cunha, Paes...). O estado do presente e do futuro. Mas essas lideranças jogaram tudo a perder, especialmente pelo gigantesco esquema de corrupção que sugou a grana e as perspectivas.

Sim, a recessão e o preço do petróleo ajudaram. Mas os gestores fizeram o maior estrago. E, este ano, o governo do Rio de Janeiro conta com um rombo de R$ 22 bilhões em suas contas. A situação é falimentar – salários atrasados, calote em fornecedores, colapso dos serviços essenciais. E investimento em baixa, desemprego em alta e arrecadação em queda.

O caos completo.

A avaliação feita por instituições como a Federação da Indústria do Rio é que o estado vai amargar os efeitos dessa crise por pelo menos mais dez anos. Quer dizer: os efeitos da irresponsabilidade e da corrupção – que sempre andam juntas – vão alcançar quase duas décadas. Duas décadas de seríssimos danos na vida do cidadão.

Esse quadro dramático do Rio de Janeiro se repete (em menor dosagem, mas de maneira também trágica) em boa parte do Brasil. E, em boa medida, na administração da União.

Mas ainda há quem ache que pode escolher governantes pela mera simpatia, sem olhar capacidade e compromisso. E ainda há político achando que a administração pública é a “casa da Mãe Joana”, onde se faz o que dá na telha. Gestão? Só a gestão política, o toma lá de sempre.

Pior: ainda há quem ache que as investigações dos escândalos são mero espetáculo. Se for espetáculo, é de mau gosto. Um filme de terror. Mas com efeitos aterrorizantes muito além do fim da sessão. Podem durar anos. Ou décadas.