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Piauí tem prejuízo de quase R$ 1 bi com transporte ruim e perda de tempo

Ônibus lotados e engarrafamentos: perda de tempo que gera prejuízo de R$ 232 bi para o Brasil, cerca de R$ 1 bi só no Piauí

 

Tem pouco sentido, no Brasil, a máxima muito forte no mundo anglo-saxão segundo a qual “tempo é dinheiro”. E o país segue jogando dinheiro no lixo com as perdas econômicas geradas por “tradições brasileiras” como as filas, os transportes coletivos ruins e os enormes engarrafamentos.

Perder tempo na fila ou no engarrafamento significa dar uso nenhum a um tempo que poderia ser traduzido em produção, seja no trabalho ou no estudo. E não é pouco dinheiro jogado fora.

Pesquisa sobre o deslocamento casa-trabalho-casa dos trabalhadores na Região Metropolitana do Rio de Janeiro mostra que a região perde uma baba com o caos no trânsito: R$ 35,7 bilhões. A pesquisa, realizada pelo governo fluminense, revela que essa grana toda corresponde a 8,1% do PIB da região.

A situação do Rio é a pior, mas os outros grandes centros não perdem pouco:  6,6% do PIB em Belém; 6,2% em São Paulo; 5,2% em Belo Horizonte. E por aí vai. Em termos nacionais, o Brasil perde mais de R$ 232 bilhões, ou 2,7% do PIB. Tomando a média nacional de impacto sobre o PIB, a pesquisa aponta para perda quase bilionária no Piauí. Com um PIB da ordem de R$ 35 bilhões, os 2,7% desse bolo representariam R$ 945 milhões de prejuízos à economia piauiense. Se os críticos quiserem colocar nossa perda "somente" na metade da média nacional, ainda assim seria quase meio bilhão de prejuízo.

É muita grana jogada fora, resultado da falta de produção pelo tempo perdido no deslocamento entre casa e trabalho.

Some-se a esse prejuízo outras perdas causados pelos maus serviços e a burocracia. Por exemplo, as filas naqueles lugares onde não podemos deixar de ir: banco, Detran, cartórios etc. Calcule quantos minutos por mês você perde na fila do banco (o deslocamento e tempo de espera na agência ou no caixa eletrônico). Faça agora o cálculo do valor da sua hora de trabalho, levando em conta sua remuneração mensal e a jornada que cumpre a cada dia. Pronto: você tem ideia de mais uma perda – mais um tempo que você usou sem produzir nada.

Se somente com as perdas no trânsito chegamos perto de R$ 1 bilhão de prejuízos no Piauí, imagine quando a soma incorporar as perdas com as filas. Talvez chegue a R$ 1,5 bilhão, ou mesmo a R$ 2 bilhões. Quem sabe?

Certo mesmo é que esses dados mostram o quanto a ineficiência de nossos serviços, acrescida da absurda burocracia, implica em atraso para o Brasil e para os brasileiros. Quando se pede, por exemplo, transportes coletivos mais eficientes, pede-se um trato mais humano com a cidadania. E, ao mesmo tempo, cobra-se maior contribuição com o desenvolvimento econômico, que é outro modo de cuidar bem da cidadania.