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Dilma ou Temer. Quem é o pai ou mãe da crise brasileira?


Temer e Dilma: pai e mãe de uma crise “como nunca antes na história deste país”

 

Quando Michel Temer assumiu pra valer, há menos de um ano, o Brasil já tinha 12 milhões de desempregados e avançava no terceiro ano de crise econômica – o segundo de recessão braba. E os especialistas apontavam para o crescimento desse desemprego. Pois bem: o desemprego chegou aos 14 milhões. E, menos de um ano depois de Temer chegar ao Planalto, no rastro da pouca eficácia das ações de governo e da absoluta incapacidade comunicativa do presidente, vai-se trocando o nome do pai da criança.

A crise de fato começa ainda no final do segundo governo Lula, mercê de ações que minavam as perspectivas da política econômica. Com Dilma, a coisa saiu do sinal amarelo, passou para o sinal vermelho e logo chegamos ao quadro negro. As medidas adotadas tentavam criar uma outra matriz econômica. Muitas medidas eram desencontradas, inócuas ou simplesmente um tiro no pé.

Resultado: Dilma deixou o Brasil com uma sequência de dois anos de recessão num quadro tão grave que os especialistas dizem que supera até mesmo os anos de 1930 e 1931, o trágico biênio pós-crash da bolsa novaiorquino.

Se dermos atenção a certas manifestações dos últimos dias, especialmente de algumas lideranças do PT, há um esforço para se dar nova paternidade à crise. Ao invés de Dilma, Michel Temer. Talvez seja injusto. Mas que se traga rápido uma explicação: não é injusto atribuir a Temer. É injusto deixar Dilma de fora.

Se um governo é uma coalizão, PT e PMDB são parte direta da construção da crise. Desde 2011 Temer fazia parte do governo. E se manteve, porque se reelegeu com Dilma em 2014, seguindo avalista das ações da petista.

Portanto, a questão não é saber se a crise tem pai ou mãe. Mas lembrar que ela tem pai e mãe.

 

As perspectivas de recuperação

Independente do pai ou mãe da crise, o país se pergunta quando teremos a retomada do desenvolvimento. E o que é possível ser feito para que o Brasil reencontre o caminho do reaquecimento econômico. Por enquanto, o que tem crescido é tão somente a temperatura política, no embalo dos conflitos que deixam de lado as discussões substantivas. O debate é tomado pelo bate boca.

Vem o governo e diz que a reforma da Previdência é importante – uma frase já dita antes por Lula e Dilma, quando presidentes. Mas reação no âmbito político não tem sido racional. O emocional toma conta. Prevalece o clima de torcida, do contra ou a favor, sem maiores (ou qualquer) argumento.

Seria bastante razoável que as lideranças políticas do país pensassem um pouquinho no Brasil. E fizessem um debate real, não uma discussão, um bate boca. Caberia, mais que nunca, um debate em que cada um, ao invés de gritar, argumentasse.

Por exemplo: é contra a reforma da Previdência? Ok. Então, qual a alternativa. É contra a reforma trabalhista? Mais uma vez, Ok. E outra vez: qual seria a alternativa?

O país está cheio de perguntas. Mas faltam respostas, sobretudo respostas consistentes e desprovidas de paixão, essa paixão que embala as arquibancadas dos estádios em dia de clássico.