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Combate à corrupção, novo produto de exportação ‘Made in Brazil’


Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Lula: nomes na lista ex-presidentes envolvidos na Lava Jato

 

De onde menos se esperava surgiu o novo produto de exportação do Brasil: o combate à corrupção. E esse novo produto de exportação tem nome óbvio: Lava Jato. A operação que começou há três anos e já levou para a cadeia um punhado de figurões da política e do empresariado, está fazendo escola e deixa frutos em uma dezena de países, na América do Sul, América Central e África. E ainda tem Suíça e Estados Unidos, onde a Odebrecht já foi punida. E Portugal, onde a investigação reverbera.

Para se ter uma ideia do efeito Lava Jato, as investigações já alcançam 14 ex-presidente e pelo menos dois presidentes no cargo, em cinco países. “Há um antes e um depois da Lava Jato na América Latina”, diz o jornalista Martin Leon Espinoza, do jornal peruano El Comércio, responsável por uma série de reportagens sobre o escândalo continental revelado a partir de Curitiba.

É uma reportagem dele que traz a lista de ex-presidentes envolvidos na investigação. Só no Brasil são cinco: dos presidentes dos últimos 32 anos, só escapa Itamar Franco. Estão na lista da Lava Jato Dilma Rousseff, Lula, Fernando Henrique, Fernando Collor e José Sarney. Na Argentina, a lista inclui Cristina Kirchner e Carlos Menem. O Peru iguala o Brasil em número, cinco: Alejandro Toledo, Alan Garcia, Ollanta Humala, Alberto Fujimori e Morales Bermudez. El Salvador acrescenta mais dois: Antonio Saca e Maurício Funes.

A lista pode incluir ainda Hugo Chavez, já falecido. E cita dois presidentes em exercício: o brasileiro Michel Temer e o dominicano Danilo Medina.

No caso da Republica Dominicana, o escândalo da Lava Jato já resultou em um livro cujo título é sugestivo: Odebrecht, a queda de um império corruptor. O livro é do advogado e economista Angel Lockward. A publicação é vendida como o primeiro livro sobre a Odebrecht após o escândalo da Lava Jato.

De fato, a Lava Jato está estabelecendo um divisor importante na política do continente. E também fora das fronteiras latino-americanas. Quem diz isso é o mesmo Leon Espinoza, avaliando o impacto das revelações de ex-executivos da Odebrecht:  “A relevância da investigação da Odebrecht é tamanha que promotores e procuradores-gerais de 10 países da América Latina e de Portugal concordaram em realizar ação coordenada”. Algo absolutamente novo.

Há nessa constatação uma grande dose de esperança: que os escândalos levem a um novo modo de fazer política. Olhando a realidade brasileira e o comportamento dos políticos – tentando mais impedir as punições que corrigir rumos –, é preciso colocar as barbas de molho.

Seja como for, a Lava Jato tem um grande mérito: mostrou que há um outro caminho. Sobretudo, mostrou que o caminho que vinha sendo trilhado tem fundamentalmente um perdedor: a cidadania.