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Reforma da Previdência: Governo comunica mal e agora aposta, pasme!, na CPI


Henrique Meireles: governo agora aposta na CPI da Previdência para esclarecer sobre a reforma

 

Sete em cada dez brasileiros rejeitam a reforma da Previdência. É o que revela pesquisa do instituto DataFolha. A pesquisa também revela contradições nas respostas dos entrevistados. Por exemplo: apenas 27% rejeitam a idade mínima de 65 anos para os homens. Talvez um outro índice da sondagem traduza esse descompasso: apenas 18% se dizem bem informado sobre a reforma.

Os indicadores da pesquisa não chegam a surpreender. Mas fizeram o governo dar a mão à palmatória: comunicou-se mal com a sociedade e não foi capaz de superar o embate político com informações técnicas claras e tradutoras do real impacto da reforma na vida do cidadão.

Dizer que se comunicou mal é um eufemismo. A comunicação do governo foi péssima, ineficiente tecnicamente ou politicamente. O presidente Temer tem dificuldades em ser claro e acessível. A seus principais auxiliares falta capacidade comunicativa e, em muitos casos, credibilidade. Resultado: hoje o governo não encanta nem os aliados no Congresso, cheios de dúvidas quanto ao voto na proposta.

Diante de quadro caótico, o Planalto revolveu fazer uma espécie de operação de guerra para recuperar o tempo perdido. Articula as liderranças no Congresso. Mas para alcançar o objetivo de informar à sociedade – pasme! – começa a depositar esperanças onde menos se esperava: na CPI sobre a Previdência, que o Senado vai instalar.

O governo não conseguiu estabelece um debate aberto com a cidadania. A divisão conflituosa do país em dois campos políticos enfrentados é complicador, já que os argumentos desaparecem, dando lugar a discursos tão apaixonados quanto desprovidos de base. E de ambos os lados,

Faltou, a cada lado, dizer porque é a favor ou contra a reforma. E se é contra, qual alternativa: uma outra proposta? Ou proposta nenhuma? Ficar como está resolve? Se é pra mudar, o que muda? E com que efeito? Como fica cada cidadão, nos casos mais diversos, diante de possíveis mudanças?

Ah, sim! O governo diz que a reforma é importante para reaquecer a economia. Como isso se dá?

Ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meireles – talvez o único com alguma lucidez nos argumentos, mas excessivamente frio nas falas –, contestou os que afirmam não existir déficit. E afirmou que, se todos os devedores da Previdência saldassem hoje suas dívidas, nem de longe cobriria o déficit de um ano. Quer dizer: no próximo ano teríamos os mesmos R$ 150 bilhões (ou mais) de déficit.

Ciente da incapacidade do governo de ser claro na explicação da reforma. Meireçles foi mais: disse que a CPI da Previdência pode ser uma boa oportunidade para o governo lançar luz sobre esse quadro tão politicamente turvo. Para o ministro, a CPI vai evidenciar os argumentos do governo. E mostrar que a reforma não apenas é necessária, como urgente.