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Escolha do vice de Wellington em 2018 já divide base de apoio

Lucy Silveira: filiação ao PP pode ser atalho que leve Wellington a ter uma vice com coração tucano

 

O governador Wellington Dias (PT) vai conseguindo quase um milagre: construir uma ampla base política em torno de seu projeto de reeleição. Uma Arca de Noé com bichos de todos os matizes. Tão grande que chega-se a perguntar quem poderia ser (ou se haveria) adversário do petista. Mas a tranqüilidade de Wellington tem ruídos que podem crescer, em especial em torno da indicação do ocupante do cargo de vice-governador na chapa de 2018.

Nas articulações com vistas às eleições do próximo ano, o petista vai acomodando PP, PMDB, PDT, PSD, PR, Podemos etc etc. E vai atraindo até o grupo de Firmino Filho, que atrelou seu projeto ao do senador Ciro Nogueira (PP). E é em torno da dupla Ciro-Firmino que começam a surgir as primeiras reações.

Em um segundo mandato, o lugar de vice-governador tem especial interesse, já que é grande a possibilidade do vice ser efetivado governador, caso o titular vá disputar o Senado. O PMDB de Themístocles Filho se considera merecedor do lugar de vice, que caberia ao próprio presidente da Assembleia. Mas o PP se movimenta fazendo lembrar um nome que está filiado ao partido mas que traz os votos de outra sigla: Lucy Silveira, mulher do tucano Firmino Filho.

Em fevereiro, Lucy assinou ficha no PP. Um gesto que poderia ser visto como muito estranho, já que seu marido segue como liderança de referência no PSDB. Só mesmo o entendimento de que Ciro e Firmino têm um projeto comum para explicar o gesto. Ainda mais quando vozes do PP defendem Lucy para a vice de Wellington.

O primeiro questionamento é: mas o PP teria duas vagas na chapa majoritária? Neste caso, até poderia, já que Lucy chega com a ficha do PP mas com o coração (e os votos) do PSDB. Pelo menos assim pensam os articuladores desse movimento político. No PMDB, pensa-se diferente.

O partido de Themístocles quer a vaga de vice. E esse desejo pode resultar em dificuldades na grande Arca de Wellington. E não é impossível ver bicho pulando desse barco em 2018, caso a costura da chapa não seja feita adequadamente.

No caso do PMDB, é preciso também ficar atento às vontades divergentes dentro do partido. João Henrique quer o partido na oposição. Já Marcelo Castro e Themístocles, os dois principais líderes do PMDB, querem ser governo. Mas enquanto o presidente da Assembleia sonha em ser o vice, Marcelo cobiça discretamente a segunda vaga de senador.

Essa disputa interna pode ser mais um item a quebrar a tranquilidade que Wellington Dias conseguiu construir até aqui. Pode ser a chuva que vai se transformar em dilúvio, criando dificuldades para a grande Arca capitaneada pelo petista.