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Fitas editadas e a renúncia de Temer. Como fica o caso JBS?


Michel Temer: entre fitas editadas e encontros furtivos, uma situção grave também para o país

 

Como nas acusações contra Lula, Dilma e Cia, agora aparecem tantos questionando aspectos da denúncia em torno do caso JBS. Não tantos quanto no caso de Lula, um líder popular. Mas aparecem. E o que mais ganha corpo é a ideia de uma armação contra o presidente, incluindo edição das fitas do encontro entre Temer e o dono da JBS, Joesley Batista.

As dúvidas em torno do caso, por mais sérias que sejam não anulam um aspecto: o presidente meteu-se ele próprio em uma grande enrascada. E levou o Brasil junto. Daí, não falta quem peça a imediata renúncia de Temer. Um pedido que não é só na oposição.

Vamos a alguns pontos que geram debate:

A ARMAÇÃO: Há armação no caso quando Joesley Batista, dono da JBS, vai no palácio presidencial munido de um gravador, para registrar um encontro. O presidente cai como um patinho. Também é armação a compra bilionária de dólares pela mesma empresa que sabia do escândalo a chegar – com isso, ganhou horrores. E pode também haver armação nos depoimentos divulgados: a Folha de S. Paulo encomendou perícia que apontou vááárias montagens nas fitas que registram os encontros.

O QUE NÃO É ARMAÇÃO: O presidente recebeu um megaempresário investigado em pelo menos cinco inquéritos. E recebeu já quase entrando a madrugada, nem nomes nem registros na lista de visitantes. Pior: no encontro, o presidente foi informado de diversos delitos. E teve duas atitudes: ou não discordou ou simplesmente avalizou. Também não é invenção a participação do senador Aécio Neves ou do deputado Rocha Loures em ações escandalosas, revelando com todas as letras a horrível regra nas relações entre os ditos homens públicos e a coisa pública.

O QUE FICA: Fica uma dúvida que alcança a Polícia Federal e o Ministério Público, diante da possibilidade de edição de depoimentos, o que significa manipulação de provas. Essa dúvida termina alcançando o próprio STF, que engole tudo isso sem mais nem menos. Mas fica também a certeza de que tanto Temer quando Aécio e Loures estão envolvidos em atos nada, nada republicanos. Também fica a certeza de que os tentáculos da JBS eram enormes, alcançando quase 2 mil candidaturas nas eleições dos últimos anos. Só no caso de Lula e Dilma a soma chegaria a R$ 150 milhões em repasses. As delações da JBS, como as da Odebrecht, tornam a envolver praticamente toda a política, à direita e à esquerda, deixando poucas alternativas para os brasileiros em 2018, casos esses brasileiros queiram escolher candidatos a partir de um viés ético.

COMO FICA TEMER: Com armação ou sem armação, a situação de Temer (e do Brasil) é muito ruim. A governabilidade, que o presidente vinha conseguindo quase como um milagre regado por benesses a parlamentares, torna-se quase impossível. A tramitação das reformas paralisa; a economia dá um passo atrás; a base parlamentar do governo se esfarela. Nesse contexto, cresce o clamor pela saída de Temer. Pode ser pela renúncia, a saída rápida. Mas pode ter que esperar a votação no TSE, em pouco mais de 15 dias. Mas a situação é tão grave que muitos acham que esse tempo é muito longo.

 

UMA DÚVIDA MAIS

Cabe um esforço para tentar entender as críticas de alguns apoiadores de Lula à possibilidade da presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, ser a depositária da transição dessa grave crise. Criticam o que chamam de uma virtual “ditadura da toga”. Vamos lembrar, os apoiadores de Lula apostam em uma única alternativa à crise: saída de Temer e imediata realização de eleições diretas. Uma saída que, estão convictos os lulistas, deixa como principal beneficiário o próprio Lula.

A opção Carmem Lúcia náo é natural. Teria que ser resultado da saída de Temer e da deslegitimação dos presidentes da Câmara (Rodrigo Maia) e do Senado (Eunício Oliveira), ambos envolvidos em denúncias sérias no âmbito da Lava Jato. Seria, também, a opção pela constitucionalidade. Uma constitucionalidade que, sem uma mudança na atual Carta, estabelece eleição indireta – quando até mesmo a própria Carmem Lúcia poderia ser a escolhida para fazer a transição do país até as eleições de 2018.