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A corrupção e o jeitinho brasileiro explicados em livros

Livros que explicam o Brasil: Raízes do Brasil; Os Donos do Poder; Carnavais, Malandros e Heróis, Democracia Tropical; e A Era dos Imprevistos

 

O que faz o Brasil Brasil?  É uma boa pergunta que já rendeu livro com esse mesmo título (O que faz o brasil, Brasil? – Roberto da Matta, 1984). E vai render bibliotecas inteiras, sobretudo diante dos escândalos quer revelam como a corrupção faz parte da vida corriqueira do país. Mas, apesar da dificuldade da pergunta, há disponíveis muitas explicações para o caráter do brasileiro, sua relação com a corrupção e o exercício da cidadania.

Poderíamos fazer uma longa lista de livros que mostram porque o Brasil é esse Brasil – de Joaquim Nabuco a Gilberto Freyre; de Caio Prado Jr a Florestan Fernandes, etc etc. Abaixo, segue uma seleção bem curta de livros bem interessantes para compreendermos um pouco mais desse país.
 

Raízes do Brasil – SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA (1936)
Um livro fundamental para entender o perfil do brasileiro, em especial esse traço de misturar vida pública e privada. Lançado em 1936, com algumas revisões do autor, faz uma construção histórica desse modo de ser do país, identificando o que chama de herança ibérica. Traz o conceito de “homem cordial” que caracterizaria o brasileiro e ajuda a entender as bases da corrupção a partir do patrimonialismo – essa “tradição” que não distingue o público do privado e faz do público patrimônio próprio. Tudo a ver com os escândalos que vivemos hoje.

Os Donos do Poder – RAYMUNDO FAORO (1958)
Publicado no final da década de 1950, faz um estudo sobre a construção social do Brasil desde a colônia até 1930. E aponta aspectos históricos sobre a corrupção no contexto brasileiro. Para ele, já na colônia as práticas corruptas se tornam parte da estrutura economia e política do Brasil. Como o título indica, tenta explicar as origens da elite dirigente brasileira. E mostra como a burocracia portuguesa trouxe para o Brasil toda a estrutura patrimonialista que persiste.

Carnavais, Malandros e Heróis – ROBERTO DA MATTA (1997)
Este ótimo livro mostra as dificuldades do brasileiro de construir relações sociais pautadas pela igualdade de direitos e deveres. Isto porque o brasileiro não quer ser tratado como indivíduo, mas como pessoa – onde tenta se diferenciar pelo personalismo e o familiarismo. Na prática, a questão é o velho “jeitinho brasileiro”, que procura resolver o conflito na base da simpatia, evitando o confronto.

Cidadania no Brasil – JOSÉ MURILO DE CARVALHO (2001)
O livro mostra o percurso da democracia brasileira desde a independência, com conquistas e perdas de direitos. E, claro, faz uma enorme diferenciação entre direitos e cidadania. Lembra que, com a redemocratização (em 1985), o país passou a ter direito a constituir partidos, a votar, a eleger seus representantes, a gritar nas ruas. Mas cidadania é muito mais. E diz que a cidadania brasileira vive numa encruzilhada.

Democracia Tropical – FERNANDO GABEIRA (2017)
Lançado no mês passado, repassa nossa história recente, desde o movimento Diretas Já (1983-84). É um olhar de um dos protagonistas dessa fase, mas que não perde o lugar de crítico rigoroso. Ao refazer esse percurso com base em anotações próprias, deixa perguntas no ar. Por exemplo: em que encruzilhada nos metemos? Que país surgirá dos escombros de 2016 e 2017?

A Era do Imprevisto – SÉRGIO ABRANCHES (2017)
Abranches é o autor do conceito de “presidencialismo de coalizão”, que explica esse confuso modo de governança no Brasil. Neste livro, traz reflexões e projeções para o percurso do século 21. Diz que vivemos uma conturbada transição e que o mundo será muito diferente em pouco tempo. A boa notícia: essa mescla brasileira pode ajudar o país a fazer essa transição com menos desassossego.