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Brasil procura ‘reserva moral’ para eventual saída de Temer

Meireles, Jobim, Carmem Lúcia e Cardoso: badalações em torno de uma eventual sucessão de Michel Temer

 

O cenário é de incerteza, e as dúvidas incluem o destino do presidente Michel Temer: ele fica ou sai? Na quinta e sexta-feira, a certeza quanto à saída do presidente era enorme. Hoje, perdeu força. Mas não foi descartada. Por via das dúvidas, o país discute as alternativas e procura, desesperadamente, uma “reserva moral” que sirva de opção.

O presidente já anunciou que vai resistir e só deixa o cargo se for derrubado. E sai do discurso à ação: atacou os delatores Joesley e Wesley Batista e contratou o sempre pirotécnico perito Ricardo Molina, conhecido de outros carnavais, com o objetivo específico de desqualificar as gravações feitas por Joesley, o dono da JBS. Ah, e também recuou no questionamento da abertura de inquérito pelo STF.

As ações do presidente não apagam as dúvidas. E muitos acham que ainda são grandes as chances de Temer deixar o poder. Ou ser deixado: se não renunciar, há chance do presidente ser derrotado no TSE, com a cassação da chapa Dilma-Temer. Ou seja: há real possibilidade do Congresso – se não for aprovada uma emenda que estabeleça eleições diretas – ter que escolher um novo presidente, num prazo de 30 dias após a vacância do cargo.

E aí começa outra discussão: quem substituiria Temer?

No dia seguinte, seria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. E aí teria que proceder a escolha do presidente pelo resto do mandato, uma escolha que tende a ficar entre nomes próximos ao governo ou independentes.

Indagado sobre essa possibilidade, um congressista do Piauí que não se bica com o governo Temer, foi categórico: temos que encontrar uma reserva moral. Ele mesmo admite que não pode ser um nome do atual Congresso. A população não aceitaria. E reconhece que, fora, as alternativas são poucas.

Nesse debate mal disfarçado, alguns poucos nomes foram colocados na mesa. Um dos mais badalados é o do ministro Henrique Meireles, festejado pelo mercado e avalista das reformas tão desejadas por esse mesmo mercado. Resta saber se encantaria os congressistas, votantes desse processo eleitoral indireto.

Outro nome lembrado e não apenas entre tucanos é do ex-presidente Fernando Henrique. Complicado: tem explícita ligação com um partido específico (PSDB) e uma idade avançada, sobretudo para um presidente com tarefas hercúleas pela frente.

A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, também foi lembrada por muitos – e atacada particularmente por alguns petistas, que alertam para o risco de uma ditadura de toga. Mas a própria ministra tratou de serenar as especulações dizendo que não deseja a tarefa. Será?

Há ainda Nelson Jobim, ex-senador, ex-ministro (da Justiça e da Defesa) e ex-membro do STF. Tem trânsito em várias frentes: Judiciário, Congresso, militares. Por muito tempo alimentou o sonho de ocupar o gabinete do Planalto. Volta a sonhar.

São nomes que aparecem e alimentam as muitas especulações e alguns debates sérios. Mas esbarram em dois detalhes. O primeiro, a necessidade de Temer ser desapeado do poder para que esses (e outros) nomes possam realmente ser levados em conta. Segundo, qualquer um que deseje substituir Temer terá que construir um consenso mínimo.

Num Brasil tão fragmentado, não é tarefa fácil. Não é mesmo!