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As chances de Tasso e o dilema do PSDB em torno do Pós-Temer


Tasso Jereissati: o queridinho do mercado aparece como favorito à possível fase pós-Temer

 

Poucos no Brasil, seja governo ou oposição, pensam num país governado por Michel Temer em um horizonte de médio prazo. Quase todos já trabalham o chamado Pós-Temer, embora não fique exatamente claro quando começa essa fase em que um novo presidente estaria à frente da Nação.

A aposta da maioria é que a Era Temer – se é que se pode chamar assim um tumultuado ano de gestão – termina com o julgamento no TSE do processo de cassação da chapa Dilma-Temer. Sim, porque os articuladores no Planalto ainda se desdobram em torno da idéia de conseguir que algum ministro do TSE peça vistas do processo e alongue a Era Temer. Ninguém quer largar o osso.

O problema que esse alongamento é visto por muitos como o alongamento da agonia do país por uma saída que recoloque o Brasil nos trilhos. Daí, essa mesma maioria prefere mesmo pensar no pós-Temer. Em concreto, pensa em quem pode sucedê-lo.

Nessas reflexões, o PSDB tem ocupado um lugar especial. E por duas razões principais.

Primeira: o PSDB é o partido que poderia abreviar a tal Era Temer. Se os tucanos tivessem rompido com o presidente na sexta-feira passada e desembarcado do governo, o período Temer teria acabado ali mesmo. Mas isso teria também deixado como sequela uma cisão profunda entre PSDB e PMDB, exatamente os dois principais partidos desse grande e tumultuado latifúndio político. E que precisam dialogar para a governabildiade.

O PSDB segue com essa mesma chave decisiva: se anunciar a saída do governo, hoje ou amanhã, levará outras forças consigo e deixará Temer sem muitas alternativas, se é que as tem.

Segunda razão: o PSDB – isto é, o senador Tasso Jereissati – está surgindo como favorito para tomar as rédeas da fase pós-Temer. Mas esse favoritismo tem gerado reação dentro do próprio PMDB. O partido de Temer gostaria de seguir com as rédeas nas mãos. Mas falta nome e credibilidade em um partido onde os principais caciques estão enxovalhados pelas revelações da Lava jato.

Tasso se torna favorito por diversas credenciais. Como empresário é, depois de Henrique Meireles, o queridinho do Mercado. E aí Tasso não teria nenhuma dificuldade em manter uma equipe econômica que o PSDB defende com mais força que o próprio PMDB. Nesse sentido, Rodrigo Maia seria também uma boa notícia para o mercado, já que defende as reformas com unhas e dentes. Mas está até a tampa na Lava Jato, e isso praticamente o elimina da lista, ainda mais depois dos episódios de quarta-feira.

Outra credencial de Tasso é que dialoga bem com o próprio Congresso, ainda que não seja um poço de simpatia. Para completar, pode ser apresentado como uma pessoa com experiência – e boa experiência, como governador do Ceará, exatamente o governador que impulsionou o estado para transformações importantes.

Obviamente, toda essa reflexão parte do pressuposto de que haverá um fim próximo da Era Temer, coisa a cúpula do Palácio do Planalto não vislumbra. Cabe esperar o julgamento do TSE para ver se esse raciocínio geral prevalece. Além disso, o nome de Tasso ou de qualquer outro precisa ser amparado por um mínimo de consenso.

Ou o sucessor de Temer carrega o aval de forças importantes da sociedade brasileira, ou terá quase tantos problemas quanto Temer.